
Quando era mais nova a minha mãe ralhava-me porque só tirava fotos aos outros– o que ainda acontece.
Comprei há tempos uma máquina digital e a descoberta interminável do novo brinquedo levou-me a experimentar algo que, segundo consta, requer inúmeras tentativas falhadas até se chegar a resultados satisfatórios: tirar fotografias a nós próprios. Mas fotografias boas, daquelas que vemos e pensamos, "Ena! Estou mesmo catita!".
A missão é árdua mas não impossível.
Na minha mais recente tentativa, depois de muitas poses
blasés - algumas sem testa – ocorreu-me o quão mal conheço o meu próprio rosto. Vejo-o ao espelho todos os dias, é certo, mas está do avesso e a ideia de que o mundo conhece a minha cara melhor do que eu faz-me comichão. Alías, o que conhecemos dos nossos rostos são apenas as expressões que fazemos quando nos apontam uma objectiva (e que, se repararem bem, são quase sempre iguais).
Deixei de lado pretensões artísticas e dediquei-me a explorar a elasticidade da cara.
É uma óptima forma de ver lados nossos que desconhecemos - literalmente! - ... e gostava de deixar para a posteridade mais de mim do que um sorriso Pepsodent.