terça-feira, abril 19, 2005
i wonder
Porque é que, nos últimos dias, tudo o que é velhote decide meter conversa comigo na rua para desabafar... e eu fico a ouvir pacientemente?
sábado, abril 16, 2005
blog do dia

Imaginem que uma ilustradora inglesa vinha viver para Portugal e criava um blog que retratava o nosso povinho com imagens, texto e ironia. O resultado é este.
Tias, taxistas, batas, muitas batas, a qualidade dos programas de TV, fado, supermercados, avós e sopinha, condução, cafés... até o Marcelo Rebelo de Sousa. E não se fiquem pela página inicial: atirem-se aos arquivos que é tempo bem passado.
quinta-feira, abril 14, 2005
i'm normal, please date me
Devido à falta de tempo e inspiração para escrever um post de jeito, deixo-vos com a Carlota Martins e uma canção que já ganhou estatuto de culto:

I don’t think I like rejection of my little girl affections
It’s not dope
I’ve been crawling on the walls just hoping you will call while I’ve got hair and teeth
It’s not that I don’t have a life
Maybe it’s sad
I’m sort of glad that
I’m normal please date me
I won’t call you half as much as you call me
I’m normal please date me
I have only stalked a couple guys but they were not about surprises
Don’t run away cause baby I’m your dream
I have got a lot of hobbies
Some of which include phone calls that hang up quick
Click
I was somewhat immature
You won’t believe how getting dumped makes girls grow up
All girls that say they don’t obsess
Are full of shit and such a mess but
I’m normal please date me
I won’t call you half as much as you call me
I’m normal please date me
I have only stalked a couple guys but they were not about surprises
Don’t run away cause baby I’m your...
There is no restraining order that will separate our love that’s ever true
Even if I can’t convince you my probation officer is kind of cute
I’m normal please date me
I won’t call you half as much as you call me
I’m normal please date me
I have only stalked a couple guys but they were not about surprises
Or drive-by's
Or bushes
Don’t run away cause baby I’m your dream
I don’t think I like rejection of my little girl affections
It’s not dope
I’ve been crawling on the walls just hoping you will call while I’ve got hair and teeth
It’s not that I don’t have a life
Maybe it’s sad
I’m sort of glad that
I’m normal please date me
I won’t call you half as much as you call me
I’m normal please date me
I have only stalked a couple guys but they were not about surprises
Don’t run away cause baby I’m your dream
I have got a lot of hobbies
Some of which include phone calls that hang up quick
Click
I was somewhat immature
You won’t believe how getting dumped makes girls grow up
All girls that say they don’t obsess
Are full of shit and such a mess but
I’m normal please date me
I won’t call you half as much as you call me
I’m normal please date me
I have only stalked a couple guys but they were not about surprises
Don’t run away cause baby I’m your...
There is no restraining order that will separate our love that’s ever true
Even if I can’t convince you my probation officer is kind of cute
I’m normal please date me
I won’t call you half as much as you call me
I’m normal please date me
I have only stalked a couple guys but they were not about surprises
Or drive-by's
Or bushes
Don’t run away cause baby I’m your dream
quarta-feira, abril 13, 2005
Vocês são crianças índigo
Por eu ter escrito um artigo sobre o tema, a autora deste blog recordou esta semana que pertence a uma geração conhecida como de crianças índigo.
E o que são as crianças índigo?
"Sensíveis, intuitivas, criativas, algumas com capacidades paranormais, quase todas resistentes à imposição de autoridade e capazes de formular as suas próprias teorias acerca do mundo, as crianças índigo chegam com a missão de transformar a humanidade. São seres da nova energia, arautos da paz, mensageiras da luz. Estão a nascer em todas as casas e é importante aprender a reconhecê-las."
(Artigo publicado na Revista portuguesa "Pais e Filhos", da autoria da sua diretora, Inês Baptista.)
Aqui para nós, recordando o que foi a minha infância, até eu fui uma criança índigo. Mas a vossa geração está a ser estudada por psicólogos para verificar o quanto corresponde a esta tipologia.
Ora sucede que acabam de ser editados dois livros em português sobre esta matéria.
As Crianças Índigo
Lee Carroll e Jan Tober,
Editora Sinais do Tempo
Crianças Indigo
Teresa Guerra
Editorial Angelonum – Novalis
Porquê índigo? Aqui é que a porca começa a torcer o rabo. Porque quem é capaz de ver auras nas pessoas vê uma alta percentagem de índigo na aura dessa geração. Assim como há novas gerações de crianças cristal e de outras cores. E logo o meu lado racionalista começa a mandar vir: há psicólogos a estudar crianças que se destinguem... pelas auras!?
Mas há mais coisas simultaneamente sedutoras e estranhas. Há também mensagens do Outro Mundo (ou de outros mundos). E agora que já espicacei a vossa curiosidade convido-vos a visitar o segundo local mais interessante na net depois deste.
Fico à vossa espera.
Artur Tomé
E o que são as crianças índigo?
"Sensíveis, intuitivas, criativas, algumas com capacidades paranormais, quase todas resistentes à imposição de autoridade e capazes de formular as suas próprias teorias acerca do mundo, as crianças índigo chegam com a missão de transformar a humanidade. São seres da nova energia, arautos da paz, mensageiras da luz. Estão a nascer em todas as casas e é importante aprender a reconhecê-las."
(Artigo publicado na Revista portuguesa "Pais e Filhos", da autoria da sua diretora, Inês Baptista.)
Aqui para nós, recordando o que foi a minha infância, até eu fui uma criança índigo. Mas a vossa geração está a ser estudada por psicólogos para verificar o quanto corresponde a esta tipologia.
Ora sucede que acabam de ser editados dois livros em português sobre esta matéria.
As Crianças Índigo
Lee Carroll e Jan Tober,
Editora Sinais do Tempo
Crianças Indigo
Teresa Guerra
Editorial Angelonum – Novalis
Porquê índigo? Aqui é que a porca começa a torcer o rabo. Porque quem é capaz de ver auras nas pessoas vê uma alta percentagem de índigo na aura dessa geração. Assim como há novas gerações de crianças cristal e de outras cores. E logo o meu lado racionalista começa a mandar vir: há psicólogos a estudar crianças que se destinguem... pelas auras!?
Mas há mais coisas simultaneamente sedutoras e estranhas. Há também mensagens do Outro Mundo (ou de outros mundos). E agora que já espicacei a vossa curiosidade convido-vos a visitar o segundo local mais interessante na net depois deste.
Fico à vossa espera.
Artur Tomé
segunda-feira, abril 11, 2005
quinta-feira, abril 07, 2005
quarta-feira, abril 06, 2005
não sou só eu que sou perfeitamente doida...
Imaginem a vossa reacção se, numa aula, vos dissessem que há uma forte ligação entre Fernando Pessoa e o Stº António. Argumentos:
a) o Nandinho nasceu no dia de Stº António;
b) o segundo nome do Nandinho era António;
c) o primeiro nome do Santo era Fernando;
d) (a um nível mais profundo...) como figura popular e amada, Stº António será o contraponto de um Pessoa fechado em si mesmo que não recebeu atenção nenhuma.
Quem o disse? Pista: vê quiasmos em todo o lado, especialmente onde não os há.
a) o Nandinho nasceu no dia de Stº António;
b) o segundo nome do Nandinho era António;
c) o primeiro nome do Santo era Fernando;
d) (a um nível mais profundo...) como figura popular e amada, Stº António será o contraponto de um Pessoa fechado em si mesmo que não recebeu atenção nenhuma.
Quem o disse? Pista: vê quiasmos em todo o lado, especialmente onde não os há.
segunda-feira, abril 04, 2005
eu sou perfeitamente doida
Depois de quase dois meses a traduzir frases repletas de ideais pacifistas, como:
abum u ummum uznīn u qātīn ša mārim imhasū (trad.: o pai e a mãe bateram nas orelhas e nas mãos do filho), vamos começar a dar isto:

O que sempre é melhor que as 15.000 espécies de pássaros que se têm de desenhar em hieróglifos...
Sim, sou doida. Mas gosto.
abum u ummum uznīn u qātīn ša mārim imhasū (trad.: o pai e a mãe bateram nas orelhas e nas mãos do filho), vamos começar a dar isto:
O que sempre é melhor que as 15.000 espécies de pássaros que se têm de desenhar em hieróglifos...
Sim, sou doida. Mas gosto.
sábado, abril 02, 2005
Actor
So many grew round me, through me,
from my self, as it were.
I became a channel, unleashing a force
called man.
Did not the others crowding in, distort
the man that I am?
Being each of them, always imperfect,
myself to myself too near,
he who survives in me, can he ever
look at himself without fear?
Karol Wojtyla (1920 - 2005)
Tendo uma relação de amor-ódio com a Igreja (adoro a mensagem original do Cristianismo mas revolta-me ver que fizeram com ela) foi um prazer ter testemunhado um Papa tão inovador.
Que o próximo tenha a sabedoria para continuar o trabalho de aproximação.
sexta-feira, abril 01, 2005
untitled
hopelessly drift in the eyes of the ghost again
down on my knees and my hands in the air again
pushing my face in the memory of you again
but i never know if it's real
= the cure =
down on my knees and my hands in the air again
pushing my face in the memory of you again
but i never know if it's real
= the cure =
quarta-feira, março 30, 2005
sexta-feira... santa?
Na sexta-feira santa passei pela Fnac para revelar as fotografias de Braga. Até aqui tudo bem. Ao passear-me pela secção dos livros, deparei-me com a zona de destaques decorada com panos púrpura, candelabros e... carradas de livros sobre temas místicos e esotéricos, desde os Templários, agora tão na moda, à bruxaria satânica.
A heresia!
Não que me importe, até sou a favor de tornarem certa e determinada infomação acessível ao público (os livros de bruxaria satânica nem tanto, mas enfim...). O que me chocou foi ver tal iniciativa surgir naquela altura do ano, num país tão católico e temente a Deus.
Bem, convenhamos... As duas principais festas do Cristianismo roubaram as datas de celebração ao paganismo europeu. Em vez de se celebrar um solstício e um equinócio, celebra-se o nascimento e a morte de Jesus. Mas já repararam que essas festas estão a fugir cada vez mais à temática cristã e a regressar ao domínio pagão? O Natal tem como principal figura um velhinho de barbas brancas vestido pela Coca-Cola e a Páscoa um coelhinho e ovos de chocolate.
Para quê contrariar?
terça-feira, março 29, 2005
vá para fora cá dentro
No fim-de-semana antes da Páscoa fui a Braga mudar de ares.
Ao sairmos da estação, depois de três horas e meia num expresso, resolvemos ir à agência de viagens em frente, perguntar onde ficava a pousada de juventude. Uma senhora, muito atrapalhada, respondeu:
- Para isso têm de ir para Braga...
Não me digam que fui outra vez parar ao Areeiro...! Nem sequer era eu que ía a conduzir...
Mas não. Para a senhora, Braga resumia-se ao centro da cidade e lá fomos nós a pé até uma pousada de juventude já lotada. Reencaminharam-nos para uma residencial com um elevador de velocidade supersónica e, arrumada a bagagem, partimos à aventura.
Descobri que os pombos bracarenses gostam de comida do McDonald's e cheguei a ver um ser perseguido por uma criancinha psicopata que o tentava atropelar no meio da praça principal, com o seu carrinho.
Talvez devido ao mau tempo e, principlamente, por não haver tanta calçada como cá em baixo, por vezes parecia estar noutro país. Mas depois reparava nas ruas repletas de decorações pascais, com um Cristo muito martirizdo e sangrento em tudo o que era poste e montra (viva o culto do sofrimento...) e lá me convencia de que ainda estava cá.
Também Braga já foi invadida pelo Império Chinês mas as zonas resistentes são algo bizarras. Passei por uma montra que continha os seguintes elementos: um biombo, um candeeiro de rua, um candeeiro de mesa-de-cabeceira e dois jipes. Dois jipes a sério! What the...?
Entretanto encontrámos uma loja TV Cabo a anunciar um serviço já descontinuado há largos meses. Primeiro pensei em tirarmos fotos em frente à loja mas, para não parecermos malucos, resolvemos entrar e meter conversa com a senhora, saber como vai o negócio, se detesta tanto o Siebel como nós, etc - o que foi uma atitude bem mais sã...
Para desespero do Edgar, também há lojas de música em Braga e lá foi a Marta testar os pianos. Tive de os deixar lá mas, para compensar, trouxe uma pandeireta artesanal, que também deve chatear os vizinhos.
Regra geral, as pessos são incrivelmente simpáticas e a cidade vale a pena e recomenda-se... quando não está a chover torrencialmente.
voltei, voltei...
Depois de 10 dias de ausência graças a uma bruta constipação e à morte prematura do transformador do modem, estou de regresso à blogosfera.
As noviades (que não são muitas, porque férias são férias...), seguem-se nos próximos posts.
As noviades (que não são muitas, porque férias são férias...), seguem-se nos próximos posts.
sexta-feira, março 18, 2005
ou não
Ontem fui ver "O Segredo dos Punhais Voadores".
O Relógio era capaz de escrever a sinopse deste filme melhor do que eu, mas vou fazer o meu melhor:
Na China do século IX, dois generais (ou não) tentam descobrir quem é o novo líder de um grupo de rebeldes à la Robin dos Bosques - roubam aos ricos para dar aos pobres, vivem numa floresta de bambu e vestem-se de verde - para o capturarem.
Um dos generais fica com a missão de tentar seduzir uma concubina cega (ou não) que será a filha do líder assassinado, de forma a descobrir o esconderijo dos Punhais Voadores. Pelo caminho, acaba por prejudicar a sua missão ao apaixonar-se pela ceguinha (mas se calhar é ao contrário).
O enredo é digno de qualquer novela mexicana mas feito de uma forma muito bonita. Vale pelas paisagens lindíssimas, por um Jogo do Eco de cortar a respiração e, claro, pela porrada, para quem gosta dessas coisas.
Se gostaram d'"O Tigre e o Dragão" vão adorar este filme.
Ou não.
segunda-feira, março 14, 2005
O Regresso de Columbo
O tenente Columbo está de volta à RTP Memória, às 3ªs feiras, pelas 23.00h.
Série de culto na década de 70, com vários prémios enquanto durou, Columbo vive de excelentes argumentos e da interpretação extraordinária de Peter Falk.
Histórias policiais baseadas em crimes aparentemente perfeitos, cada história começa sempre com o assassino a planear e executar o crime, criando um alibi à prova de bala. Depois surge a polícia a investigar o crime, com o tenente Columbo sempre a mascar um charuto apagado e embrulhado numa gabardina que precisa urgentemente de ir para a desinfecção.
O criminoso, sempre alguém elegantíssimo e figura de topo de qualquer elite cultural ou financeira, responde às primeiras perguntas daquele polícia manhoso com a maior condescendência. Só que o homem não o larga e aparece-lhe nos locais mais inesperados a pedir muita desculpa pelo incómodo, mas houve qualquer coisa que foi dito que ele ainda não percebeu muito bem…Quanto mais Columbo avança na investigação mais o criminoso se vai aproximando de uma crise de nervos e é quase com alívio que é preso: finalmente está livre daquele melga…
Não percam. E passem o recado aos vossos pais e avós.
Artur Tomé
quinta-feira, março 10, 2005
como sou viciada em testes de personalidade
segui a sugestão da John e descobri que, se fosse uma personagem da mitologia grega, seria:

Morpheus
Which Of The Greek Gods Are You?
brought to you by Quizilla
Já conhecia o Quizilla, mas prefiro e recomendo este site onde tanto podemos descobrir qual o nosso Q.I. como qual a raça canina com que mais nos assemlhamos (eu sou um Pug, by the way...).
Morpheus
Which Of The Greek Gods Are You?
brought to you by Quizilla
Já conhecia o Quizilla, mas prefiro e recomendo este site onde tanto podemos descobrir qual o nosso Q.I. como qual a raça canina com que mais nos assemlhamos (eu sou um Pug, by the way...).
quarta-feira, março 09, 2005
não há mesmo nada de original neste mundo
Mito indiano de há uns muitos mil anos a.C.:
(...) the tenth Manu was the most famous of them all. It was when he ruled over the earth that the great flood occured, when everything was submerged and only Manu survived. The god Vishnu warned Manu of the flood, and Manu built a boat to carry his family and the seven sages of antiquity. Vishnu took the form of a large fish (...) and lodged the boat on a mountain peak.
(...) the tenth Manu was the most famous of them all. It was when he ruled over the earth that the great flood occured, when everything was submerged and only Manu survived. The god Vishnu warned Manu of the flood, and Manu built a boat to carry his family and the seven sages of antiquity. Vishnu took the form of a large fish (...) and lodged the boat on a mountain peak.
Romila Thapar, A History of India
domingo, março 06, 2005
noitada IV
Desta vez trouxe um rádio.
Estamos sem sistema, pela segunda vez, há quase uma hora. Na sala do Apoio, 3 operadoras e uma supervisora - agora em pausa forçada - inserem contratos de clientes "grandes", enquanto se riem histericamente devido à moca do sono.
Na ebay inglesa há pessoas a vender pianos por 1£.
Tenho fome.
Estamos sem sistema, pela segunda vez, há quase uma hora. Na sala do Apoio, 3 operadoras e uma supervisora - agora em pausa forçada - inserem contratos de clientes "grandes", enquanto se riem histericamente devido à moca do sono.
Na ebay inglesa há pessoas a vender pianos por 1£.
Tenho fome.
sábado, março 05, 2005
obssession
Mamãe, mamãe, mamãe eu quero,
Mamãe eu quero
Mamãe eu quero tocar.
Dá o piano
Dá o piano
Dá o piano para a Marta não chorar.
noitada III
E cá estou eu com mais uns milhares de e-mails para responder durante o fim de semana - mas sem o Nikki ou o Ninja, contrariamente à imagem.
Aproveito para dar as boas-vindas à minha querida morena alta e ao seu muchacho, de quem já tinha muitas saudades e que vão deixar de ouvir clientes a dizer que não encontram as teclas do cardeal e do arcebispo no telefone, para passarem a ouvir "olhe que eu sou sobrinho do presidente da Deco!", ou "eu sei que a menina não tem culpa nenhuma, mas alguém tem de ouvir!", ou "vão para o ..... seus ........", ou... (suspiro nostálgico)
Tenho sono.
quinta-feira, março 03, 2005
Inteligência emocional
Os últimos posts da Marta e certos acontecimentos particulares recentes fizeram-me rever a educação ideal para os jovens de hoje, em comparação com a do meu tempo.
Quando eu nasci, o meu pai, sargento da Marinha, decidiu que eu seria oficial da Marinha quando crescesse. Quando, aos oito anos, tive de passar a usar óculos, o meu pai chorou de frustração. Depois decidiu-se pelo plano B. Eu iria tirar um curso de Finanças. Porquê? Porque era o curso do Professor Salazar.
Feito o 5º ano do liceu, decidi seguir Ciências, oficialmente para tirar engenharia de máquinas (secretamente para trabalhar em astronáutica na NASA). Para o meu pai, engenharia significava ir trabalhar para a CUF, o que era o topo de qualquer carreira profissional. Mas o ensino da Física era uma estopada, apaixonei-me por Biologia primeiro, depois pelo corpo humano e fui para Medicina.
Chegado a Medicina, como se pode descortinar nas entrelinhas, o choque com o meu pai era grave e decidi tornar-me financeiramente independente. Com 17 anos, subi umas escadas do Hospital de Santa Maria, bati à porta do gabinete do administrador, disse que era estudante e queria emprego. Comecei a trabalhar nessa tarde na Recepção, a inscrever doentes. Já agora, o emprego era com contrato a tempo indeterminado.
Como a maioridade era só aos 21 anos, o meu pai exerceu a sua autoridade paternal e tirou-me de lá… Larguei o curso e fui para a tropa, a modos de quem vai para a Legião Estrangeira.
Resumindo: 1960, empregos estáveis e facilidade em arranjá-los, submissão à autoridade paterna (e a outras), funcionários atentos, veneradores e obrigados (quem fosse despedido uma vez estava profissionalmente queimado). Os doutores, engenheiros e patrões em geral escreviam o que tinham a escrever com canetas, havia secretárias para bater os textos à máquina.
Passemos para a década de 80 e temos uma cachopa a crescer num mundo em mutação constante e muito mais agressivo. O pai tenta-a convencer a praticar aikido, ela vai para o ballet. Faz teatro, aprende música, e mete-se num curso superior que ela escolheu.
Nada daquilo em que o pai foi educado serve hoje como guia de comportamento para a relação pai-filha.
Cá fora, empregos estáveis acabaram. Poucas empresas ou instituições são profissionalmente aliciantes e, as poucas que o são, na área das comunicações, estão sob vendaval constante. Como ajudá-la, sem bases financeiras estáveis? Apoiar a sua grande inteligência emocional. Comentar os temas que ela traz à baila da conversa, numa de diálogos à Sócrates (o grego), alegrar-se com as suas capacidades em surfar os tsunamis que lhe aparecem e trautear interiormente "Bridge of troubled waters":
Sail on, silver girl... your time has come to shine...
Artur Tomé
quarta-feira, março 02, 2005
sabedoria de ruiva
I believe in energy. Everything's energy, and therefore magic can sometimes get created if somebody is open to energy doing what it does - instead of being so cynical that you miss magic happening.
Tori Amos
Tori Amos
sonhos vs. contas de electricidade
Perguntamos a uma pessoa de 60, 70 anos o que fez para não ter feito as coisas que achava essenciais aos 20 anos, e a pessoa provavelmente diz: não me lembro. Se calhar esteve a pagar contas de electricidade. Se não temos cuidado, estamos 50 anos a pagar contas de electricidade. É uma coisa assustadora, a papelada para uma pessoa estar viva. Apetecia-me muitas vezes dizer: não me chateiem, quero só estar vivo.
Gonçalo M. Tavares, in Mil Folhas
Certo dia eu e os meus pais fomos almoçar com um amigo de ambos que, em conversa, me perguntou o que eu queria fazer quando crescesse.
- Música - disse eu.
A resposta surgiu numa das frases que mais detesto ouvir:
- Isso passa-te com a idade.
O senhor em questão foi músico e produtor durante os seus anos de juventude e agora exerce a criativa profissão de técnico de informática.
Nunca suportei adultos que, na amargura de não se terem tornado no que o seu eu de 15 anos queria ser, fazem questão de deitar abaixo os sonhos dos outros. Os sonhos não pagam as contas nem põem comida na mesa - mas isso não implica que tenhamos de abdicar deles.
Há já uns anos que vivo dividida entre o que quero e o que tenho de fazer e, na maioria das vezes, é a última que ganha... o que me ajudou a descobrir formas de contornar a coisa e conseguir arranjar disponibilidade para as actividades que realmente me alimentam a alma.
Penso que a ideia essencial é a de que, se queremos e gostamos mesmo de fazer algo, não importa se é daí que vem o dinheiro, se estamos muito ocupados ou se já somos demasiado velhos para continuar (ou começar). Mesmo que não lhe possamos dedicar todo o tempo desejado, a sensação é tão reconfortante que vale a pena, por meros 5 minutos que sejam.
Quando era mais nova, criticava secretamente a minha mãe por ser tão terra-a-terra e continuar num emprego onde a sobrecarregavam de tarefas, em vez de tirar um curso de Arte e dedicar-se aos trabalhos manuais, ao desenho e à pintura, de que tanto gostava... Agora sei o que a casa gasta - literalmente! -, que até dá jeito ser-se efectiva e estar na mesma empresa há mais de 20 anos e que quando se trabalha das 9h às 18h, quer-se é chegar a casa e descansar.
Mas, justiça seja feita, não era por isso que deixava de desenhar aos fins-de-semana ou fazer trabalhos de carpintaria para a casa.
Temos de ser práticos para sobreviver e pagar contas de electricidade, é um facto. Só não gosto do conformismo.
E não, não me vai passar com a idade.
domingo, fevereiro 27, 2005
Alma Perdida
Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma de gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!
Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, a alma doente
D'alguém que quis amar e nunca amou!
Toda à noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!
Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!...
Florbela Espanca
8 de Dezembro de 1894 – 8 de Dezembro de 1930
Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma de gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!
Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, a alma doente
D'alguém que quis amar e nunca amou!
Toda à noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!
Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!...
Florbela Espanca
8 de Dezembro de 1894 – 8 de Dezembro de 1930
adivinhem quem voltou dos mortos
Consegui recuperar o blog!
Visto o apoio técnico do Blogger.com conseguir ser mais lento e vago do que o departamento onde trabalho (ahem!), estava decidida a copiar os posts todos, matar o blog e criar um clone. Felizmente, a meio do processo, lá descobri uma forma de dar a volta à coisa e, ta-ra!, aqui está ele outra vez, que nem Lázaro ressuscitado - Lázaro, cuja irmã se chamava Marta... oh, meu deus, quiasmos!
domingo, fevereiro 13, 2005
i got rhythm
Life is a lot like jazz... it’s best when you improvise.
= George Gershwin (26.09.1898 - 11.07.1937) =
Foi preciso um episódio d'As Aventuras do Jovem Indiana Jones, para redescobrir um dos meus compositores preferidos.
Tendo começado a ouvir rádio só por volta dos 12 anos, passei a infância a ver musicais e a ouvir os discos de jazz do meu pai, repletos de canções escritas pela dupla George e Ira Gershwin - a J. uma vez disse que quem escrevia as letras não era o irmão e sim a cunhada, mas não me pronuncio porque não estava lá para ver...
Só mais tarde é que associei o nome à obra e apercebi-me de que a música do senhor estava em todo o lado.
De nome verdadeiro Jacob Gershovitz (os pais eram judeus russos), Gershwin começou a tocar no piano oferecido ao irmão Ira e, ainda adolescente, arranjou emprego no mítico Tin Pan Alley, passando pela Broadway e acabando em Hollywood.
Considerado essencialmente um autor de música popular e não tendo tido formação musical para além das aulas de piano, Gershwin esforçava-se por ser visto como um compositor a sério. Reza a lenda que chegou a pedir aulas de composição a Ravel. Ravel perguntou-lhe quanto ganhava por ano e, após ter ouvido a resposta, recusou, dizendo que ele é que devia ter aulas com Gershwin.
No final de 1923, foi convidado por Paul Whiteman para compor uma peça de jazz sinfónica. Aceitou. Tempos depois, numa bela manhã de Janeiro, abriu o jornal e leu a notícia de que a sua novíssima sinfonia seria tocada no Aeolian Hall em Fevereiro. Esquecera-se... Em 3 semanas escreveu o fabuloso Rhapsody in Blue. Tinha 25 anos.
O seu maior contributo terá sido talvez a fusão entre a música popular - especialmente o jazz - e a música dita "séria", mas o maior feito é, sem dúvida, a forma como a sua obra continua imortal e a ser reinventada ainda hoje, desde a versão que Miles Davis fez da ópera Porgy&Bess, ao Red Hot + Rhapsody ou a coisas mais assustadoras, como o Jon Bon Jovi a cantar How Long Has This Been Going On.
Podem não saber o nome da canção, podem não saber quem a escreveu, mas não há ninguém na sociedade ocidental que não conheça uma das melodias do George.
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
adeus piano...
Depois de correr duas lojas e um banco, descobri que ninguém quer conceder um crédito a pessoas empregadas através de agências de trabalho temporário. Compreendo que contratos autorenováveis mensalmente não sejam garantia para nenhuma instituição de crédito, mas não deixa de ser curioso... Quando trabalhei como recuperadora para um banco que não vou dizer qual é mas que se chama BBVA, a grande maioria dos casos em contencioso era de velhotes analfabetos da província a quem vendedores impingiam produtos que não interessavam nem ao menino Jesus. "Faça aqui um X, e isto é seu". E ficavam os velhotes obrigados a pagar durante anos mais do que podiam - ou a ficar em dívida, que era o mais certo.
Fiquei triste, desgostosa, ninguém me quer ajudar, é uma injustiça, uma tragédia.
Mas, numa sociedade que vive à base do "leve agora, pague depois (mas paga o dobro)", não sei se será assim tão mau cometer uma extravagância à moda antiga: juntar tostõezinhos durante um ano e tal e pagar a pronto, sem ficar a dever nada a ninguém...
Até já piano.
domingo, fevereiro 06, 2005
Do it yourself best seller - As lições do Código da Vinci
Até o Jornal de Letras se rendeu e, na última edição, traz um estudo sobre este fenómeno editorial.
Trezentos mil exemplares vendidos só cá em Portugal, é obra. E, pela experiência de quem o comprou, cada livro é emprestado a uma média de 4 pessoas que o devoram num instante.
Confesso que li o livro em dia e meio e que acho tratar-se de um excelente exemplo de artesanato literário. O que é muito diferente de o considerar um bom livro. Deixo os comentários místicos e religiosos para a página Energias Livres, uma vez que a dona deste blog não me deixa falar sobre tais matérias neste site (anda um pai a criar uma filha para acabar vítima de Censura) e passo aos truques que o autor usa para escrever um best-seller:
Truque nº 1 – Conte duas histórias em paralelo
Vá alternando a narrativa, capítulo sim, capítulo não. Se não tiver duas histórias, conte a mesma sob o ponto de vista de duas personagens diferentes. Se só tiver uma personagem, comece a história pelo meio e vá intercalando o que aconteceu antes com o que aconteceu depois.
A alternância converge para a cena leit-motiv do livro no penúltimo capítulo.
(Se não tiver história nem personagem, arrisca-se a ganhar um Nobel daqui a 20 anos)
Truque nº2 – Frases curtas e palavras simples
Reveja o texto que escreveu, substitua as vírgulas por pontos finais e os pontos finais por parágrafos.
Intercale com onomatopeias ou locuções tipo treinador de equipa olímpica.
Treine.
Você vai conseguir.
Truque nº3 – Use conhecimentos profissionais especializados
Não há pachorra para figuras que passam o tempo a pensar nem para descrições de realidades à base de metáforas.
Num best-seller as coisas não são "como".
As personagens têm conhecimentos sobre matérias, conhecimentos que ensinam ao leitor. Como decifrar códigos, como fazer uma bomba com detergentes e insecticidas, ou como fazer chocolates e vinho à base de fruta (e viva a Joana Harris).
Há mais truques, mas esses reservo-os para o meu best-seller.
Artur Tomé
sexta-feira, fevereiro 04, 2005
perdi a cabeça
Andava eu nos saldos quando decidi torturar-me e entrar em lojas de música para ver pianos - e não é que os pianos também estão em saldo...?
Desisti dos acústicos a curto prazo porque (ainda) não sou rica e dei de caras com um digital que, em promoção, custa dois ordenados meus:
Depois há a maravilha dos créditos: se pagar sem juros tenho de pagar o preço real (3 ordenados); se pagar o preço promocional cobram-me juros e acabo por dar mais dinheiro do que o valor real do piano. Chamem-me parva, mas escolho a primeira opção.
Assim, algures este mês, já vou ter com que chatear os meus adorados vizinhos.
P.S.: Ainda quero um piano de parede pelo Natal...
Desisti dos acústicos a curto prazo porque (ainda) não sou rica e dei de caras com um digital que, em promoção, custa dois ordenados meus:
Depois há a maravilha dos créditos: se pagar sem juros tenho de pagar o preço real (3 ordenados); se pagar o preço promocional cobram-me juros e acabo por dar mais dinheiro do que o valor real do piano. Chamem-me parva, mas escolho a primeira opção.
Assim, algures este mês, já vou ter com que chatear os meus adorados vizinhos.
P.S.: Ainda quero um piano de parede pelo Natal...
terça-feira, fevereiro 01, 2005
prepara-te sónia, o puto está de volta...
Pois é, o rapaz da cicatriz vai voltar às prateleiras no dia 16 de Julho, com a edição do livro Harry Potter and the Half-Blood Prince. Está confirmada uma extensão ligeiramente inferior à do quinto livro (desta vez, 672 páginas) e resta-me esperar que não seja a desilusão que foi o Order of the Phoenix.
Mais do que o universo criado, o que me prende aos livros é a sequência de segredos que vão sendo revelados ao longo da história. Ler mais de 700 páginas para "descobrir" algo que qualquer leitor já sabe, não é agradável. (Sem contar com a nova professora de Defense Against The Dark Arts, demasiado parecida com uma certa docente de Inglês com quem andei às turras...)
Os eventuais fãs podem espreitar o site da Rowling que vale pelos gráficos e pelo toque pessoal, desde a autobiografia (onde se pode ver uma nota de 10 mil escudos) a uma secção onde a autora desmente boatos vários, como o de que o Lord Voldermort é o verdadeiro pai de Harry: "You lot have been watching too much Star Wars".
Mais do que o universo criado, o que me prende aos livros é a sequência de segredos que vão sendo revelados ao longo da história. Ler mais de 700 páginas para "descobrir" algo que qualquer leitor já sabe, não é agradável. (Sem contar com a nova professora de Defense Against The Dark Arts, demasiado parecida com uma certa docente de Inglês com quem andei às turras...)
Os eventuais fãs podem espreitar o site da Rowling que vale pelos gráficos e pelo toque pessoal, desde a autobiografia (onde se pode ver uma nota de 10 mil escudos) a uma secção onde a autora desmente boatos vários, como o de que o Lord Voldermort é o verdadeiro pai de Harry: "You lot have been watching too much Star Wars".
sábado, janeiro 29, 2005
A crónica constipada
Peço desculpa a todos os meus admiradores mas a minha habitual colaboração das 5ªsfeiras ficou no tinteiro – que é como quem diz, no computador ou ,melhor dizendo, nem chegou a entrar…
Isto um homem não é de ferro e, depois do Paulo Portas ter apresentado governo, do Louçã ter dito o que disse ao Portas e do Freitas apelar ao voto em Sócrates, os meus neurónios entraram em crash. Foi aí que chegou a constipação. Não a constipação metafísica do Pessoa, mas uma constipação de atchim e muitos lenços de papel sujos.
Finalmente, a leitura da última crónica do Ferreira Fernandes, na última página da Sábado desta semana (Sábado que, como o nome indica, sai à sexta feira) deu-me tema para botar umas palavras.
Malta, vocês que navegam quase todos nas águas da literatura e nos abismos insondáveis das semânticas, leiam aquela crónica. E, por favor, aprendam a falar claro e simples. Vocês vão educar os futuros políticos e gestores… Denunciem a verborreia pseudo-culta, desde os bordões do "eu diria que…" (então diz, porra!), o "nomeadamente" e "na medida em que", até aos polissílabos estrambólicos que só escondem o vazio de ideias e propostas de quem as usa.
Lembro-me da apresentação pública do "Consumactor", um livro de que fui co-autor com Beja Santos (edição Temas e Debates). Um professor universitário, disse que iria propor o livro para os seus alunos, só lamentava a sua linguagem demasiado acessível, imprópria de um trabalho universitário. Como tal linguagem fôra a minha contribuição para o livro, contei até 10 e consegui não lhe apertar o pescoço ali em público.
Transcrever o FF? Estou muito constipado. Comprem a revista, que vale a pena.
Artur Tomé
Isto um homem não é de ferro e, depois do Paulo Portas ter apresentado governo, do Louçã ter dito o que disse ao Portas e do Freitas apelar ao voto em Sócrates, os meus neurónios entraram em crash. Foi aí que chegou a constipação. Não a constipação metafísica do Pessoa, mas uma constipação de atchim e muitos lenços de papel sujos.
Finalmente, a leitura da última crónica do Ferreira Fernandes, na última página da Sábado desta semana (Sábado que, como o nome indica, sai à sexta feira) deu-me tema para botar umas palavras.
Malta, vocês que navegam quase todos nas águas da literatura e nos abismos insondáveis das semânticas, leiam aquela crónica. E, por favor, aprendam a falar claro e simples. Vocês vão educar os futuros políticos e gestores… Denunciem a verborreia pseudo-culta, desde os bordões do "eu diria que…" (então diz, porra!), o "nomeadamente" e "na medida em que", até aos polissílabos estrambólicos que só escondem o vazio de ideias e propostas de quem as usa.
Lembro-me da apresentação pública do "Consumactor", um livro de que fui co-autor com Beja Santos (edição Temas e Debates). Um professor universitário, disse que iria propor o livro para os seus alunos, só lamentava a sua linguagem demasiado acessível, imprópria de um trabalho universitário. Como tal linguagem fôra a minha contribuição para o livro, contei até 10 e consegui não lhe apertar o pescoço ali em público.
Transcrever o FF? Estou muito constipado. Comprem a revista, que vale a pena.
Artur Tomé
noitada
Seis mil e-mails por responder.
Abastecimento de sementes de girassol com tamari e gengibre, bolachas integrais de flocos de aveia, sementes de sésamo e farinha de trigo, garrafa de Pleno Tisanas de chá preto (98% do qual é água, mas enfim...).
Seis mini-discs e o namorado como companhia.
Sou animada por pérolas como:
"espero que fação"
"agora que tenhem os meus dados"
"com vosco"
"que vosses me inviaram".
Querem rave melhor que esta?
Abastecimento de sementes de girassol com tamari e gengibre, bolachas integrais de flocos de aveia, sementes de sésamo e farinha de trigo, garrafa de Pleno Tisanas de chá preto (98% do qual é água, mas enfim...).
Seis mini-discs e o namorado como companhia.
Sou animada por pérolas como:
"espero que fação"
"agora que tenhem os meus dados"
"com vosco"
"que vosses me inviaram".
Querem rave melhor que esta?
quinta-feira, janeiro 27, 2005
quinta-feira, janeiro 20, 2005
Jack Kirby , o rei dos super-heróis
Já que falei em Will Eisner, nada mais natural que referir outro dinossauro da BD americana, o espantoso Jack Kirby (1917 – 1994).
Nascido por altura da Primeira Guerra Mundial, Kirby começou a desenhar pouco depois de sair do berço, tendo colaborado em todo o tipo de publicações imagináveis e trabalhando qualquer género que lhe encomendassem: histórias de terror, romances ingénuos, histórias de aviação, super-herois… em todas as áreas Kirby deixou marca e uma quantidade impressionante de trabalhos.
A fama chegou em 1941, ao criar visualmente as histórias do Capitão América. Contra a onda ariana do nazismo, os laboratórios americanos transformam um rapaz lingrinhas num super soldado, alto, forte e louro – provando assim que podiam ser mais nazis que Hitler.
À semelhança dos restantes super-herois então surgidos, também o Capitão América entra na guerra contra o Eixo antes dos EUA se envolverem no conflito, o que pode ser explicado pelo facto de a maioria dos seus autores ser judia.
Com os tempos de paz, o Capitão América vai ficando no esquecimento e acaba por desaparecer de vez. Kirby assume vários trabalhos de chacha para sobreviver, até que, em 1961, faz parceria com o escritor Stan Lee na editora Marvel e juntos criam o Quarteto Fantástico, Hulk, Thor e várias outras figuras que relançam um género que parecia esgotado há muito.
O autor destas linhas ficou especialmente extasiado como Kirby, à boleia das aventuras de Thor na Terra, recria os principais episódios da mitologia nórdica, como se de uma serie de aventuras se tratasse, dando rédea solta à sua criatividade para criar armas, roupas e adereços de forma a poder apresentar uma página dupla com um exército onde não se vêem duas figuras humanas com a mesma arma ou mesma roupa.
Depois surge o corte com Stan Lee e Kirby passa para a editora rival, a Detective Comics, onde relança histórias do Super-Homem e cria um mundo do Mal, Apocalyps, regido por um temível Darkseid. Sim, muito antes do início das filmagens da Guerra das Estrelas.
Criativo até ao último fôlego, os universos de Kirby são um marco monumental na história da narrativa gráfica.
Artur Tomé
quarta-feira, janeiro 19, 2005
as coisas que a gente aprende no canal História...
Reza a lenda que, em inícios do século XVII, apareceu um polaco que se dizia filho de Ivan, O Terrível e se tornou czar. Cerca de um ano depois, descobriram-lhe a careca e mandaram-no de volta para a Polónia à boa maneira russa: prática e económica. Mataram o senhor, queimaram-no, puseram as cinzas num canhão e apontaram para a Polónia.
E ainda me perguntam porque é que a Mãe Rússia me fascina...!
segunda-feira, janeiro 17, 2005
Eu não queria estar sempre a falar de trabalho, a sério que não... Mas ponham-se no meu lugar:
Tiram-vos dos telefones para responder a e-mails. Recebem um mail que tem como remetente alguém cujo servidor é o Ministério da Educação. O subject é "Aderência à Sport TV" e o senhor diz que o serviço de apoio a clientes é "incipiente".
E perdem a pouca fé que ainda tinham no futuro da Língua...
Tiram-vos dos telefones para responder a e-mails. Recebem um mail que tem como remetente alguém cujo servidor é o Ministério da Educação. O subject é "Aderência à Sport TV" e o senhor diz que o serviço de apoio a clientes é "incipiente".
E perdem a pouca fé que ainda tinham no futuro da Língua...
sexta-feira, janeiro 14, 2005
também quero...!
"1893 - [Edvard Munch] Contacta com o círculo literário do Porquinho Preto em Berlim".
Porquinho Preto...?! Anda uma pessoa a contribuir para blogs litarários com nomes como "Avant-Scène", quando podia fazer parte de algo com um nome tão catita como Porquinho Preto...
Aceitam-se sugestões ;).
Porquinho Preto...?! Anda uma pessoa a contribuir para blogs litarários com nomes como "Avant-Scène", quando podia fazer parte de algo com um nome tão catita como Porquinho Preto...
Aceitam-se sugestões ;).
quinta-feira, janeiro 13, 2005
Will Eisner 06.03.1917 – 03.01.2005
Morreu, no princípio deste ano, um jovem de 87 anos. Morreu Will Eisner, o argumentista e ilustrador que, nas década de 30 e 40, ajudou a criar a onda editorial da BD americana de super-heróis que, na década de 50, criou Spirit, o primeiro dos heróis mascarados (sim, o Lee Falk criou o Fantasma, mais ou menos na mesma época, mas o grafismo e argumentos de Eisner eram muito mais inovadores) e que, na década de 80, voltou a inovar o mercado americano com as graphic novels.
Na década de 30, para além de autor, tornou-se também editor, tendo trabalhado com artistas como Bob Kane, o primeiro desenhador e co-autor de Batman e com Jack Kirby, outro dinossauro criativo, autor de ícones como o Capitão América e Quarteto Fantástico.
Como editor, talvez o seu maior desaire foi ter recusado o trabalho de dois jovens, Jerry Siegel e Joe Shuster, que procuravam quem publicasse o seu herói que dava pelo nome de Superman.
O principal prémio na área da BD tinha o seu nome, ainda ele era vivo e muitos trabalhos haveria de publicar desde então. "The building" e "A contract with God". Foram duas das suas obras-primas (ok, se é obra-prima, só há uma, adiante) onde inundou as páginas com a sua ternura pelo ser humano, mesmo nas situações mais miseráveis, e com uma arte gráfica sempre inovadora e enganosamente simples.
Artur Tomé
quinta-feira, janeiro 06, 2005
pensamento da noite
"Se os homens são todos iguais, porque é que as mulheres demoram tanto tempo a escolher?"
Já dizia o meu amigo Orwell: há uns mais iguais que outros...
Já dizia o meu amigo Orwell: há uns mais iguais que outros...
As Fontes do Paraíso de Arthur Clarke
Este livro é uma colectânea de contos disfarçada, tantas são as histórias que se entrelaçam, no tempo e no espaço. (*)
O tema principal é um sistema revolucionário de partida para o espaço: não com foguetes, mas… de elevador. Admitindo a produção industrial de uma nova fibra muito mais leve e mais resistente que o aço – e várias soluções estão presentemente em estudo nesse campo – Clarke imagina quatro fios estendidos de um satélite geostacionário para a Terra, e continuando, desse satélite, mais para o exterior ainda, um gigantesco tubo com centenas de quilómetros de altura... ou de comprimento, conforme a perspectiva de quem o olhar.
Esse tubo pode servir de gaiola para deslocar uma cápsula espacial que funciona como elevador, movida apenas pela corrente eléctrica que passa pelos fios, ou como canhão de lançamento de naves espaciais, reduzindo em muito a despesa de tais lançamentos.
Vários são os problemas de engenharia debatidos ao longo do livro, bem como questões políticas (o engenheiro inventor do fio é funcionário público, trabalhando numa EDP planetária, mas quer ser ele a controlar o projecto).
Engenheiros e budistas
Mas o principal problema de engenharia é de natureza religiosa.
Só existe um ponto ideal para ancoragem do elevador na Terra. Esse ponto ideal fica no topo de uma montanha, ao nível do Equador, situado num país inventado por Clarke mas que é uma cópia quase fiel do Sri Lanka. Sucede que no topo de tal montanha existe um mosteiro budista, com direitos ancestrais sobre o local e que não fazem qualquer tenção de abandonar o local.
Os problemas de engenharia do elevador cruzam-se com a história da origem do mosteiro, dando Clarke largas ao seu fascínio pela tradição e filosofia budista, à mistura com estudos sobre neutrinos que desenvolvem uma teoria, cara ao autor, segundo a qual o nosso Sol está prestes a dar as últimas (não se assuste o leitor: a nossa estrela dura ainda cerca de 1000 anos; depois… funde-se, e nós com ela).
Para temperar tudo isto, montes de citações, na maioria inventada pelo autor, com comentários sarcásticos sobre a nossa civilização, fazem de "As Fontes do Paraíso" uma viagem fascinante pela História do pensamento religioso e ético da espécie humana.
(*) editado em português pela Europa América
Artur Tomé
O tema principal é um sistema revolucionário de partida para o espaço: não com foguetes, mas… de elevador. Admitindo a produção industrial de uma nova fibra muito mais leve e mais resistente que o aço – e várias soluções estão presentemente em estudo nesse campo – Clarke imagina quatro fios estendidos de um satélite geostacionário para a Terra, e continuando, desse satélite, mais para o exterior ainda, um gigantesco tubo com centenas de quilómetros de altura... ou de comprimento, conforme a perspectiva de quem o olhar.
Esse tubo pode servir de gaiola para deslocar uma cápsula espacial que funciona como elevador, movida apenas pela corrente eléctrica que passa pelos fios, ou como canhão de lançamento de naves espaciais, reduzindo em muito a despesa de tais lançamentos.
Vários são os problemas de engenharia debatidos ao longo do livro, bem como questões políticas (o engenheiro inventor do fio é funcionário público, trabalhando numa EDP planetária, mas quer ser ele a controlar o projecto).
Engenheiros e budistas
Mas o principal problema de engenharia é de natureza religiosa.
Só existe um ponto ideal para ancoragem do elevador na Terra. Esse ponto ideal fica no topo de uma montanha, ao nível do Equador, situado num país inventado por Clarke mas que é uma cópia quase fiel do Sri Lanka. Sucede que no topo de tal montanha existe um mosteiro budista, com direitos ancestrais sobre o local e que não fazem qualquer tenção de abandonar o local.
Os problemas de engenharia do elevador cruzam-se com a história da origem do mosteiro, dando Clarke largas ao seu fascínio pela tradição e filosofia budista, à mistura com estudos sobre neutrinos que desenvolvem uma teoria, cara ao autor, segundo a qual o nosso Sol está prestes a dar as últimas (não se assuste o leitor: a nossa estrela dura ainda cerca de 1000 anos; depois… funde-se, e nós com ela).
Para temperar tudo isto, montes de citações, na maioria inventada pelo autor, com comentários sarcásticos sobre a nossa civilização, fazem de "As Fontes do Paraíso" uma viagem fascinante pela História do pensamento religioso e ético da espécie humana.
(*) editado em português pela Europa América
Artur Tomé
quarta-feira, janeiro 05, 2005
liberte a criança que há em si
Em criança passava tardes a ouvir a cassete áudio com a versão brasileira da Disney. Li o livro. Vi o "Hook". Auto-diagnostiquei-me como tendo síndrome de Peter Pan. Hoje saí do trabalho e fui ver o filme sobre o autor.
"Finding Neverland"/"À Procura da Terra do Nunca" romanceia a vida de J. M. Barrie, dramaturgo escocês, e a sua inspiração para a peça "Peter and Wendy", que mais tarde adaptaria para livro - o clássico infantil "Peter Pan". Resumidamente e sem querer denunciar muito do filme, Barrie (o versátil Johnny Depp que insiste em usar eye-liner...) torna-se amigo de uma viúva (Kate Winslet) e dos seus quatro filhos. Barrie baseia-se na mais problemática das crianças para a figura central da sua nova peça: Peter é, dos quatro, o que menos se deixa levar pela imaginação, sempre relutante em fazer parte das brincadeiras de piratas, índios ou cowboys.
Pelo meio temos a avó austera que dá origem ao Capitão Gancho (Julie Christie) e o director do Teatro (um hilariante Dustin Hoffman, outrora Gancho himself).
Todo o filme gira em torno da ideia de que as coisas existem desde que acreditemos nelas - e que deixamos de ser crianças a partir do momento em que vemos essas mesmas coisas como elas são na "realidade" (conceito bastante subjectivo, a meu ver...). É divertido, comovente mas, acima de tudo, faz-nos sentir como se tivéssemos outra vez 8 anos.
Uma delícia.
segunda-feira, janeiro 03, 2005
sexta-feira, dezembro 31, 2004
e venha outro...
Um bom 2005 a todos e boa passagem de ano, que vou estar a trabalhar até às 2 da manhã, muito provavelmente só para atender clientes que não conseguem ver o Herman... e sem sistema informático!
quinta-feira, dezembro 30, 2004
Arthur C. Clarke - onde a religião encontra a ciência
O maremoto que assolou a Ásia e arrasou o Sri Lanka fez-me recordar o mais famoso habitante desta região, o muito britânico Arthur C. Clarke.
A religião de que se fala no título não tem nada a ver com credos eclesiásticos. Religião é aquele sentir da unidade entre nós e tudo o que nos cerca, um sentimento de… awe perante o universo em que vivemos e uma curiosidade infantil perante as possibilidades do despertar das nossas potencialidades ou evolução no seu sentido mais lato.
Nenhum escritor, como Clarke, manteve os pés tão cravados na realidade da ciência e tecnologia e elevou tão alto essa aspiração pelo transcendente. Já no prefácio de 2001 ele recordava que, desde o surgimento da espécie humana até hoje, deverão ter nascido uns 100.000 milhões de criaturas humanas. Curiosamente, esse é o número estimado de estrelas da nossa galáxia. Portanto, para cada ser humano que pisou a Terra, existe na galáxia uma estrela que lhe pertence…
Não é um raciocínio que se ouça muito aí na boca dos engenheiros.
Como já toda a gente viu a belíssima seca que é o filme 2001 (o livro é melhor e menos confuso que o filme), deixem-me destacar dois livros que considero obras primas obrigatórias.
Rendez-vous com Rama
Da profundidade do céu, disparando para a proximidade do Sol, os telescópios detectam…é um asteroide?, é um cometa? Não, é um objecto metálico parecido com uma lata cilíndrica, com 50 km de comprimento e 30km de diâmetro e que gira sobre si próprio. O livro narra a visita de uma expedição ao interior de tal objecto, designado como Rama.
Não, Rama não está habitada. Caminhar lá dentro faz os astronautas sentirem-se como formigas… Três escadas radiam do eixo da entrada na base para as paredes, onde há estruturas que parecem cidades. Dado o movimento de rotação da lata, a gravidade manifesta-se do eixo para as paredes. Os astronautas caminham pelo interior da tampa, primeiro e das paredes depois, acompanhados por potentes projectores que transportam consigo, que iluminam poucos centenas de metros à sua frente.
Só que, à medida que se aproxima do Sol, as paredes de Rama aquecem e uma serie de sistemas automáticos são accionados. Como, por exemplo, três conjuntos de gigantescas lâmpadas.
A descrição do choque dos exploradores quando todo aquele interior se enche de luz e se vêem, colados às paredes, a olhar lá para baixo, é de dar vertigens. Depois há mares congelados que se derretem, atmosfera interior que aquece e cria furacões, mar que evapora e cria nuvens que se elevam para o eixo do cilindro e donde cai chuva - chuva que "cai" do eixo do cilindro, para o interior das paredes, descendo em curva, devido à rotação do cilindro que é Rama!… Clarke dá uma aula de mecânica celeste disfarçada de livro de aventuras extremamente fascinante.
Quem fez Rama, o que é Rama e quais os seus objectivos são perguntas que vão tendo respostas surpreendentes até à última linha do livro. Não vale a pena ir lá espreitar. A última frase é "Os ramanos fazem tudo em triplicado" mas só quem leu o livro até aí é que se apercebe do sobressalto que aquela última frase provoca. Sobressalto que é a pitada de religiosidade clarkiana no seu melhor.
Obs: "Rendez-vous com Rama" deu origem a uma sequela de outros livros, escritos em parceria com outro autor. Esqueçam-nos. Piores e mais vazios que as sequelas de 2001.
Obs 2: "As Fontes do Paraíso" ficam para a semana.
Artur Tomé
quarta-feira, dezembro 29, 2004
então adeus
Todos os dias faço uma ronda diária ao blogs que tenho nos favoritos... e todos os dias me encho de esperança que o meu amigo Miguel que agora é Eduardo, tenha parado de andar às voltas com o Vivaldi e regressado para dar sinais de vida... até hoje me te deparado com a seguinte mensagem:
"The requested URL was not found on this server. Please visit the Blogger homepage or the Blogger Knowledge Base for further assistance."
E é com muita pena que digo adeus às doenças com nomes russos e a relatos sobre discotecas da moda e a cartas de inveja a poetas...
sexta-feira, dezembro 24, 2004
Depois de ter passado um semestre inteiro a ter aulas numa série de departamentos que não são o meu, tive um ataque de nostalgia e adicionei uma data de links para páginas de alguns dos meus autores preferidos. Há uma página oficial do Oscar Wilde, mas é tão pobrezinha que me decidi por outra com uma abordagem biográfica bastante original. Quem não conhecer o Robert Herrick (autor de "To The Virgins To Make Much Of Time", citado n'"O Clube dos Poetas Mortos") não se assuste com a música irritante da página de entrada, porque as outras são silenciosas ;).
Dito isto, um feliz Natal para todos e aqui fico para os quiasmos que me esperam no 2º semestre...!
Dito isto, um feliz Natal para todos e aqui fico para os quiasmos que me esperam no 2º semestre...!
quinta-feira, dezembro 23, 2004
A aristocrata que cresceu na rua
Modesty Blaise surgiu na década de 60 e fez mais pela igualdade de direitos entre os sexos do que todas as revoluções da moda de então.
Ao contrário do retrato das mulheres propalado pelo marialva do James Bond, Modesty era uma mulher à beira dos trinta anos, rica e independente após se reformar de uma intensa vida à testa de uma rede criminosa internacional. O seu criador, Peter O’Donnell, lançou-a primeiro em banda desenhada, com o apoio inestimável do desenhador Jim Halloway, e depois em livro onde revela uma qualidade narrativa muito superior à de Ian Fleming, o pai do 007.
E, enquanto Bond tem uma atitude superior em relação às outras nacionalidades e cores de pele, num desprezo a roçar o racismo, Modesty sente-se em casa tanto num mercado em Marraquexe como num leilão de obras de arte em Veneza..
Perita em todas as formas de combate, Modesty tanto se impõe naturalmente no comando de uma tropa de mercenários (no livro "Dente de Sabre"), como apaga todas as mulheres presentes em qualquer salão ou restaurante topo de gama (que provavelmente pertence a um ex-colaborador seu, cujo negócio ajudou a financiar).
Como seu aliado principal, Willie Garvin, um ex-combatente da Legião Estrangeira, rude e violento, que Modesty educou e que se tornou no seu guarda-costas, confidente e companheiro de aventuras na vida civil.
A relação entre Willie e Modesty é o ponto mais original da série. Willie, um atleta de sotaque cockney, emérito atirador de facas, tem uma adoração canina pela sua parceira. Tendo cada um vários romances, a sua relação é platónica mas mais íntima do que a que possam ter com qualquer namoro de ocasião.
E muitos são os motivos de fascínio em Modesty. Fugindo em criança de um campo de refugiados do pós-guerra, Modesty é gente, muito mais rica de personalidade, cultura e feminilidade do que a vazia Lara Croft que décadas depois a tentou imitar.
terça-feira, dezembro 21, 2004
Yule
Para os mais distraídos, celebra-se hoje o Solstício de Inverno, também conhecido por Yule.
Nos tempos pagãos comemorava-se a noite mais escura e fria do ano como aquela em que a Deusa dava à luz o Deus Sol, a Criança da Promessa, pois a partir desse momento os dias tornam-se mais longos, representado, assim, o regresso da luz. (Não nos faz lembrar nada, pois não...?)
Levava-se uma árvore para dentro de casa como forma simbólica de proteger a Natureza do frio. Visto ser o dia em que se dava as boas-vindas ao Deus, a árvore era decorada com bolas, velas e outros pendentes (nada mais nada menos do que símbolos fálicos) e no topo da mesma era colocado, não a Estrela de Belém, e sim - surpresa, surpresa - um pentagrama.
E esta, hein...?
quinta-feira, dezembro 16, 2004
Ironia britânica
Leslie Charteris nasceu na Indonésia, educou-se em Inglaterra e aí começou a publicar os primeiros livros do Santo. Estávamos no início da década de 1920 e Simon Templar é uma espécie de Robin Hood que combate os mercadores da morte, como então se chamavam aos negociantes de armas. Elegante, anarca, tem a cabeça a prémio em vários países. Mais do que as histórias, é o humor muito british de Charteris que dá fama literária à figura do Santo.
Mais tarde, o Santo evita uma guerra, é amnistiado e passa a combater criminosos ricos, fazendo justiça pelas suas mãos. As parecenças com Robin Hood limitam-se a que ele também rouba os ricos maus. E fica-se por aí.
Depois Charteris instala-se nos Estados Unidos, naturaliza-se americano apesar de ser mestiço de asiático e branco, convive com Hemingway e Errol Flynn e enriquece com sucessivas adaptações ao cinema. O seu Santo vai-se civilizando no mau sentido, as aventuras épicas iniciais tornam-se em contos onde os adversários estão ao nível das Lili Caneças e falsos jet setters americanos, acabando a sua decadência criativa nas adaptações televisivas interpretadas por Roger Moore.
Dos seus livros, recomendo vivamente "O Santo e os diamantes roubados" para quem gosta de acção imparável e "o Santo no mar alto" para quem prefere suspense e romance. Todos editados na Colecção Vampiro.
Há dias descobri uma carta de Charteris que é um exemplo notável do seu sentido de humor.
How To Pronounce My Name
From A Letter from the Saint, May 9, 1946
Since I am sure you will all want to tell your friends about this wonderful service, [A Letter from the Saint] and since my name occurs so often in any intelligent conversation anyhow, this seems like a good time to start you off on the right foot in the matter of pronouncing my name.
When I picked myself this distinguished cognomen it never occurred to me that such a superficially simple arrangement of letters could be so easily butchered and mutilated. It is somewhat humiliating for what should by this time be a household word to hear itself so frequently pronounced as "Charteers", "Sharteers", "Shartroos", and worse.
There is no trick to it at all if you relax. The "Chart" is pronounced exactly like "chart", the thing you steer boats with. The "er" is pronounced exactly like "er". Put them together and you get "Charter", pronounced as in Magna. The "is" is the only catch, and should be articulated by placing the tip of the tongue behind the front teeth, if any, and exhaling in a sharply sibilant manner which should not however attain the dimensions of a whistle. If either tongue or teeth are not available, a fresh soda siphon may be employed to produce a similar effect.
For the benefit of those really fascinated by the subject, the British aristocracy, several of whom dangled from this family tree, pronounced the name, in their quaint way, as "Charters"; the "i" being silent as in monocle.
Artur Tomé
Mais tarde, o Santo evita uma guerra, é amnistiado e passa a combater criminosos ricos, fazendo justiça pelas suas mãos. As parecenças com Robin Hood limitam-se a que ele também rouba os ricos maus. E fica-se por aí.
Depois Charteris instala-se nos Estados Unidos, naturaliza-se americano apesar de ser mestiço de asiático e branco, convive com Hemingway e Errol Flynn e enriquece com sucessivas adaptações ao cinema. O seu Santo vai-se civilizando no mau sentido, as aventuras épicas iniciais tornam-se em contos onde os adversários estão ao nível das Lili Caneças e falsos jet setters americanos, acabando a sua decadência criativa nas adaptações televisivas interpretadas por Roger Moore.
Dos seus livros, recomendo vivamente "O Santo e os diamantes roubados" para quem gosta de acção imparável e "o Santo no mar alto" para quem prefere suspense e romance. Todos editados na Colecção Vampiro.
Há dias descobri uma carta de Charteris que é um exemplo notável do seu sentido de humor.
How To Pronounce My Name
From A Letter from the Saint, May 9, 1946
Since I am sure you will all want to tell your friends about this wonderful service, [A Letter from the Saint] and since my name occurs so often in any intelligent conversation anyhow, this seems like a good time to start you off on the right foot in the matter of pronouncing my name.
When I picked myself this distinguished cognomen it never occurred to me that such a superficially simple arrangement of letters could be so easily butchered and mutilated. It is somewhat humiliating for what should by this time be a household word to hear itself so frequently pronounced as "Charteers", "Sharteers", "Shartroos", and worse.
There is no trick to it at all if you relax. The "Chart" is pronounced exactly like "chart", the thing you steer boats with. The "er" is pronounced exactly like "er". Put them together and you get "Charter", pronounced as in Magna. The "is" is the only catch, and should be articulated by placing the tip of the tongue behind the front teeth, if any, and exhaling in a sharply sibilant manner which should not however attain the dimensions of a whistle. If either tongue or teeth are not available, a fresh soda siphon may be employed to produce a similar effect.
For the benefit of those really fascinated by the subject, the British aristocracy, several of whom dangled from this family tree, pronounced the name, in their quaint way, as "Charters"; the "i" being silent as in monocle.
Artur Tomé
terça-feira, dezembro 14, 2004
sábado, dezembro 11, 2004
o crime
Rapaz mata mãe e avó com um sabre. A TVI entrevista os vizinhos e segue-se o seguinte diálogo:
Vizinha: Ele sempre foi muito simpático. Muito acessível, bem-educado. Mas sim... acho que tinha algo de estranho... era... não sei, muito quieto...
Jornalista: Depressivo?
Vizinha: Sim... isso! Depressivo.
É bom saber que há jornalismo sério nos dias que correm. Eles bem dizem: só na TVI...
Vizinha: Ele sempre foi muito simpático. Muito acessível, bem-educado. Mas sim... acho que tinha algo de estranho... era... não sei, muito quieto...
Jornalista: Depressivo?
Vizinha: Sim... isso! Depressivo.
É bom saber que há jornalismo sério nos dias que correm. Eles bem dizem: só na TVI...
quinta-feira, dezembro 09, 2004
promethea
I am Promethea
The child who stands
Between fixed earth and insubstancial air,
A thought who yet treads matter’s
rain swept strands,
and mortals are the sandals that I wear
I am Promethea,
From mind's pure light
I stoop into Earth’s gloom.
From fable’s day
descending into Fact’s cold
weighty night,
from lyric atmosphere to mammal clay..
I am Promethea,
the rummored one,
the mythic bough that reason strains to bend.
I am the voice left, when the book is done
I am the dream that waking does not end.
Promethea
De Alan Moore (texto), J.H. Williams III (desenho) e Mick Gray (cor)
Trata-se de uma obra em 4 volumes, totalmente diferente de tudo o que o género da banda desenhada deu à luz até agora... Viagens e aventuras pelos vários planos da existência, num vórtice de cores e sensações estranhas mas fascinantes. Talvez a primeira BD esotérica.
O 1º volume pode ser uma excelente prenda de Natal. Quem avançar na leitura pelos outros volumes fá-lo-á seu próprio risco.
Artur Tomé
quarta-feira, dezembro 08, 2004
dia da mãe
Quando era pequena adorei descobrir que o 8 de Dezembro era o antigo Dia da Mãe, porque era esse o dia de anos da minha mãe. Como agora é apenas um feriado religioso (aos quais nunca ligo) e já não há festa de anos, celebro-o ao fazer sempre a árvore de Natal dia 8. Não deixa de ser uma festa...!
Já tinha editado este texto no extinto Território Literário mas não podia deixar passar o dia de hoje sem o incluir aqui, no meu cantinho:
os pés da minha mãe
Quando era pequena e andava, como sempre adorei andar, descalça pela casa em dias quentes de Verão, perdia o que na altura me pareciam horas a olhar para os pés da minha mãe, também eles descalços pois o corpo do qual faziam parte não suportava quaisquer amarras mesmo que sob a forma de tecidos ou calçado. Olhava para os pés dela e comparava-os aos meus. Para além da óbvia discrepância a nível de proporções, a diferença que mais me chamava a atenção (diria até, a que mais me chocava), estava na textura. Os pés da minha mãe tinham as palmas revestidas de pele que, com o passar do tempo e o passar por estradas, se tornara áspera, dura, formando o que me pareciam ser quase cascos. "Os meus pés nunca vão ficar assim," pensava eu. "As bailarinas têm pés suaves, como as princesas." Mais tarde vim a descobrir, por experiência própria, que o que as bailarinas têm são bolhas infernais…
Mais tarde ainda apercebi-me de que também a minha mãe tinha o porte e a postura das princesas da dança. Os pés eram práticos mas movimentava-os com a melhor das elegâncias.
Os pés da minha mãe já não andam e não consigo deixar de sentir que cada um dos seus calos vai, a pouco e pouco passando para os meus próprios pés, à medida que percorro o mesmo tipo de estradas por onde ela andou. Só espero que com a mesma graça.
Já tinha editado este texto no extinto Território Literário mas não podia deixar passar o dia de hoje sem o incluir aqui, no meu cantinho:
os pés da minha mãe
Quando era pequena e andava, como sempre adorei andar, descalça pela casa em dias quentes de Verão, perdia o que na altura me pareciam horas a olhar para os pés da minha mãe, também eles descalços pois o corpo do qual faziam parte não suportava quaisquer amarras mesmo que sob a forma de tecidos ou calçado. Olhava para os pés dela e comparava-os aos meus. Para além da óbvia discrepância a nível de proporções, a diferença que mais me chamava a atenção (diria até, a que mais me chocava), estava na textura. Os pés da minha mãe tinham as palmas revestidas de pele que, com o passar do tempo e o passar por estradas, se tornara áspera, dura, formando o que me pareciam ser quase cascos. "Os meus pés nunca vão ficar assim," pensava eu. "As bailarinas têm pés suaves, como as princesas." Mais tarde vim a descobrir, por experiência própria, que o que as bailarinas têm são bolhas infernais…
Mais tarde ainda apercebi-me de que também a minha mãe tinha o porte e a postura das princesas da dança. Os pés eram práticos mas movimentava-os com a melhor das elegâncias.
Os pés da minha mãe já não andam e não consigo deixar de sentir que cada um dos seus calos vai, a pouco e pouco passando para os meus próprios pés, à medida que percorro o mesmo tipo de estradas por onde ela andou. Só espero que com a mesma graça.
sábado, dezembro 04, 2004
pedimos desculpa pelo incómodo...
...mas o meu computador entrou em coma e alguém que não vou dizer que foi o meu pai teve a bela ideia de inserir um CD de recuperação que tem como defeito formatar todo o conteúdo do nosso belo iMac (também não vou referir o facto de, da última vez que o mac entrou em coma, ter-se conseguido usar o CD de recuperação e salvar TUDO...).
Isto para dizer que o texto semanal do meu pai se perdeu num qualquer buraco negro cibernético e que vos estou a escrever directamente do meu local de trabalho (eu tão vou ser despedida...) para que desculpem qualquer coisinha.
Retomaremos a emissão assim que possível.
Isto para dizer que o texto semanal do meu pai se perdeu num qualquer buraco negro cibernético e que vos estou a escrever directamente do meu local de trabalho (eu tão vou ser despedida...) para que desculpem qualquer coisinha.
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