quarta-feira, março 09, 2005

não há mesmo nada de original neste mundo

Mito indiano de há uns muitos mil anos a.C.:

(...) the tenth Manu was the most famous of them all. It was when he ruled over the earth that the great flood occured, when everything was submerged and only Manu survived. The god Vishnu warned Manu of the flood, and Manu built a boat to carry his family and the seven sages of antiquity. Vishnu took the form of a large fish (...) and lodged the boat on a mountain peak.

Romila Thapar, A History of India


Manu

domingo, março 06, 2005

noitada IV

Desta vez trouxe um rádio.
Estamos sem sistema, pela segunda vez, há quase uma hora. Na sala do Apoio, 3 operadoras e uma supervisora - agora em pausa forçada - inserem contratos de clientes "grandes", enquanto se riem histericamente devido à moca do sono.

Na ebay inglesa há pessoas a vender pianos por 1£.

Tenho fome.

sábado, março 05, 2005

obssession

crybaby

Mamãe, mamãe, mamãe eu quero,
Mamãe eu quero
Mamãe eu quero tocar.
Dá o piano
Dá o piano
Dá o piano para a Marta não chorar.

noitada III

noitada

E cá estou eu com mais uns milhares de e-mails para responder durante o fim de semana - mas sem o Nikki ou o Ninja, contrariamente à imagem.

Aproveito para dar as boas-vindas à minha querida morena alta e ao seu muchacho, de quem já tinha muitas saudades e que vão deixar de ouvir clientes a dizer que não encontram as teclas do cardeal e do arcebispo no telefone, para passarem a ouvir "olhe que eu sou sobrinho do presidente da Deco!", ou "eu sei que a menina não tem culpa nenhuma, mas alguém tem de ouvir!", ou "vão para o ..... seus ........", ou... (suspiro nostálgico)

Tenho sono.

quinta-feira, março 03, 2005

Inteligência emocional

pai&filha

Os últimos posts da Marta e certos acontecimentos particulares recentes fizeram-me rever a educação ideal para os jovens de hoje, em comparação com a do meu tempo.

Quando eu nasci, o meu pai, sargento da Marinha, decidiu que eu seria oficial da Marinha quando crescesse. Quando, aos oito anos, tive de passar a usar óculos, o meu pai chorou de frustração. Depois decidiu-se pelo plano B. Eu iria tirar um curso de Finanças. Porquê? Porque era o curso do Professor Salazar.
Feito o 5º ano do liceu, decidi seguir Ciências, oficialmente para tirar engenharia de máquinas (secretamente para trabalhar em astronáutica na NASA). Para o meu pai, engenharia significava ir trabalhar para a CUF, o que era o topo de qualquer carreira profissional. Mas o ensino da Física era uma estopada, apaixonei-me por Biologia primeiro, depois pelo corpo humano e fui para Medicina.
Chegado a Medicina, como se pode descortinar nas entrelinhas, o choque com o meu pai era grave e decidi tornar-me financeiramente independente. Com 17 anos, subi umas escadas do Hospital de Santa Maria, bati à porta do gabinete do administrador, disse que era estudante e queria emprego. Comecei a trabalhar nessa tarde na Recepção, a inscrever doentes. Já agora, o emprego era com contrato a tempo indeterminado.
Como a maioridade era só aos 21 anos, o meu pai exerceu a sua autoridade paternal e tirou-me de lá… Larguei o curso e fui para a tropa, a modos de quem vai para a Legião Estrangeira.
Resumindo: 1960, empregos estáveis e facilidade em arranjá-los, submissão à autoridade paterna (e a outras), funcionários atentos, veneradores e obrigados (quem fosse despedido uma vez estava profissionalmente queimado). Os doutores, engenheiros e patrões em geral escreviam o que tinham a escrever com canetas, havia secretárias para bater os textos à máquina.

Passemos para a década de 80 e temos uma cachopa a crescer num mundo em mutação constante e muito mais agressivo. O pai tenta-a convencer a praticar aikido, ela vai para o ballet. Faz teatro, aprende música, e mete-se num curso superior que ela escolheu.
Nada daquilo em que o pai foi educado serve hoje como guia de comportamento para a relação pai-filha.
Cá fora, empregos estáveis acabaram. Poucas empresas ou instituições são profissionalmente aliciantes e, as poucas que o são, na área das comunicações, estão sob vendaval constante. Como ajudá-la, sem bases financeiras estáveis? Apoiar a sua grande inteligência emocional. Comentar os temas que ela traz à baila da conversa, numa de diálogos à Sócrates (o grego), alegrar-se com as suas capacidades em surfar os tsunamis que lhe aparecem e trautear interiormente "Bridge of troubled waters":

Sail on, silver girl... your time has come to shine...

Artur Tomé

quarta-feira, março 02, 2005

sabedoria de ruiva

I believe in energy. Everything's energy, and therefore magic can sometimes get created if somebody is open to energy doing what it does - instead of being so cynical that you miss magic happening.

Tori Amos

sonhos vs. contas de electricidade

Example

Perguntamos a uma pessoa de 60, 70 anos o que fez para não ter feito as coisas que achava essenciais aos 20 anos, e a pessoa provavelmente diz: não me lembro. Se calhar esteve a pagar contas de electricidade. Se não temos cuidado, estamos 50 anos a pagar contas de electricidade. É uma coisa assustadora, a papelada para uma pessoa estar viva. Apetecia-me muitas vezes dizer: não me chateiem, quero só estar vivo.
Gonçalo M. Tavares, in Mil Folhas

Certo dia eu e os meus pais fomos almoçar com um amigo de ambos que, em conversa, me perguntou o que eu queria fazer quando crescesse.
- Música - disse eu.
A resposta surgiu numa das frases que mais detesto ouvir:
- Isso passa-te com a idade.
O senhor em questão foi músico e produtor durante os seus anos de juventude e agora exerce a criativa profissão de técnico de informática.

Nunca suportei adultos que, na amargura de não se terem tornado no que o seu eu de 15 anos queria ser, fazem questão de deitar abaixo os sonhos dos outros. Os sonhos não pagam as contas nem põem comida na mesa - mas isso não implica que tenhamos de abdicar deles.
Há já uns anos que vivo dividida entre o que quero e o que tenho de fazer e, na maioria das vezes, é a última que ganha... o que me ajudou a descobrir formas de contornar a coisa e conseguir arranjar disponibilidade para as actividades que realmente me alimentam a alma.
Penso que a ideia essencial é a de que, se queremos e gostamos mesmo de fazer algo, não importa se é daí que vem o dinheiro, se estamos muito ocupados ou se já somos demasiado velhos para continuar (ou começar). Mesmo que não lhe possamos dedicar todo o tempo desejado, a sensação é tão reconfortante que vale a pena, por meros 5 minutos que sejam.

Quando era mais nova, criticava secretamente a minha mãe por ser tão terra-a-terra e continuar num emprego onde a sobrecarregavam de tarefas, em vez de tirar um curso de Arte e dedicar-se aos trabalhos manuais, ao desenho e à pintura, de que tanto gostava... Agora sei o que a casa gasta - literalmente! -, que até dá jeito ser-se efectiva e estar na mesma empresa há mais de 20 anos e que quando se trabalha das 9h às 18h, quer-se é chegar a casa e descansar.
Mas, justiça seja feita, não era por isso que deixava de desenhar aos fins-de-semana ou fazer trabalhos de carpintaria para a casa.

Temos de ser práticos para sobreviver e pagar contas de electricidade, é um facto. Só não gosto do conformismo.

E não, não me vai passar com a idade.

domingo, fevereiro 27, 2005

Alma Perdida

Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma de gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!

Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, a alma doente
D'alguém que quis amar e nunca amou!

Toda à noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!...

Florbela Espanca
8 de Dezembro de 1894 – 8 de Dezembro de 1930

adivinhem quem voltou dos mortos

phoenix

Consegui recuperar o blog!
Visto o apoio técnico do Blogger.com conseguir ser mais lento e vago do que o departamento onde trabalho (ahem!), estava decidida a copiar os posts todos, matar o blog e criar um clone. Felizmente, a meio do processo, lá descobri uma forma de dar a volta à coisa e, ta-ra!, aqui está ele outra vez, que nem Lázaro ressuscitado - Lázaro, cuja irmã se chamava Marta... oh, meu deus, quiasmos!

domingo, fevereiro 13, 2005

i got rhythm

gershwin

Life is a lot like jazz... it’s best when you improvise.
= George Gershwin (26.09.1898 - 11.07.1937) =

Foi preciso um episódio d'As Aventuras do Jovem Indiana Jones, para redescobrir um dos meus compositores preferidos.
Tendo começado a ouvir rádio só por volta dos 12 anos, passei a infância a ver musicais e a ouvir os discos de jazz do meu pai, repletos de canções escritas pela dupla George e Ira Gershwin - a J. uma vez disse que quem escrevia as letras não era o irmão e sim a cunhada, mas não me pronuncio porque não estava lá para ver...
Só mais tarde é que associei o nome à obra e apercebi-me de que a música do senhor estava em todo o lado.
De nome verdadeiro Jacob Gershovitz (os pais eram judeus russos), Gershwin começou a tocar no piano oferecido ao irmão Ira e, ainda adolescente, arranjou emprego no mítico Tin Pan Alley, passando pela Broadway e acabando em Hollywood.
Considerado essencialmente um autor de música popular e não tendo tido formação musical para além das aulas de piano, Gershwin esforçava-se por ser visto como um compositor a sério. Reza a lenda que chegou a pedir aulas de composição a Ravel. Ravel perguntou-lhe quanto ganhava por ano e, após ter ouvido a resposta, recusou, dizendo que ele é que devia ter aulas com Gershwin.
No final de 1923, foi convidado por Paul Whiteman para compor uma peça de jazz sinfónica. Aceitou. Tempos depois, numa bela manhã de Janeiro, abriu o jornal e leu a notícia de que a sua novíssima sinfonia seria tocada no Aeolian Hall em Fevereiro. Esquecera-se... Em 3 semanas escreveu o fabuloso Rhapsody in Blue. Tinha 25 anos.
O seu maior contributo terá sido talvez a fusão entre a música popular - especialmente o jazz - e a música dita "séria", mas o maior feito é, sem dúvida, a forma como a sua obra continua imortal e a ser reinventada ainda hoje, desde a versão que Miles Davis fez da ópera Porgy&Bess, ao Red Hot + Rhapsody ou a coisas mais assustadoras, como o Jon Bon Jovi a cantar How Long Has This Been Going On.
Podem não saber o nome da canção, podem não saber quem a escreveu, mas não há ninguém na sociedade ocidental que não conheça uma das melodias do George.

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

adeus piano...

cartões

Depois de correr duas lojas e um banco, descobri que ninguém quer conceder um crédito a pessoas empregadas através de agências de trabalho temporário. Compreendo que contratos autorenováveis mensalmente não sejam garantia para nenhuma instituição de crédito, mas não deixa de ser curioso... Quando trabalhei como recuperadora para um banco que não vou dizer qual é mas que se chama BBVA, a grande maioria dos casos em contencioso era de velhotes analfabetos da província a quem vendedores impingiam produtos que não interessavam nem ao menino Jesus. "Faça aqui um X, e isto é seu". E ficavam os velhotes obrigados a pagar durante anos mais do que podiam - ou a ficar em dívida, que era o mais certo.
Fiquei triste, desgostosa, ninguém me quer ajudar, é uma injustiça, uma tragédia.
Mas, numa sociedade que vive à base do "leve agora, pague depois (mas paga o dobro)", não sei se será assim tão mau cometer uma extravagância à moda antiga: juntar tostõezinhos durante um ano e tal e pagar a pronto, sem ficar a dever nada a ninguém...
Até já piano.

domingo, fevereiro 06, 2005

Do it yourself best seller - As lições do Código da Vinci

Nobel

Até o Jornal de Letras se rendeu e, na última edição, traz um estudo sobre este fenómeno editorial.
Trezentos mil exemplares vendidos só cá em Portugal, é obra. E, pela experiência de quem o comprou, cada livro é emprestado a uma média de 4 pessoas que o devoram num instante.
Confesso que li o livro em dia e meio e que acho tratar-se de um excelente exemplo de artesanato literário. O que é muito diferente de o considerar um bom livro. Deixo os comentários místicos e religiosos para a página Energias Livres, uma vez que a dona deste blog não me deixa falar sobre tais matérias neste site (anda um pai a criar uma filha para acabar vítima de Censura) e passo aos truques que o autor usa para escrever um best-seller:

Truque nº 1 – Conte duas histórias em paralelo
Vá alternando a narrativa, capítulo sim, capítulo não. Se não tiver duas histórias, conte a mesma sob o ponto de vista de duas personagens diferentes. Se só tiver uma personagem, comece a história pelo meio e vá intercalando o que aconteceu antes com o que aconteceu depois.
A alternância converge para a cena leit-motiv do livro no penúltimo capítulo.
(Se não tiver história nem personagem, arrisca-se a ganhar um Nobel daqui a 20 anos)

Truque nº2 – Frases curtas e palavras simples
Reveja o texto que escreveu, substitua as vírgulas por pontos finais e os pontos finais por parágrafos.
Intercale com onomatopeias ou locuções tipo treinador de equipa olímpica.
Treine.
Você vai conseguir.

Truque nº3 – Use conhecimentos profissionais especializados
Não há pachorra para figuras que passam o tempo a pensar nem para descrições de realidades à base de metáforas.
Num best-seller as coisas não são "como".
As personagens têm conhecimentos sobre matérias, conhecimentos que ensinam ao leitor. Como decifrar códigos, como fazer uma bomba com detergentes e insecticidas, ou como fazer chocolates e vinho à base de fruta (e viva a Joana Harris).

Há mais truques, mas esses reservo-os para o meu best-seller.

Artur Tomé

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

perdi a cabeça

Andava eu nos saldos quando decidi torturar-me e entrar em lojas de música para ver pianos - e não é que os pianos também estão em saldo...?
Desisti dos acústicos a curto prazo porque (ainda) não sou rica e dei de caras com um digital que, em promoção, custa dois ordenados meus:

roland

Depois há a maravilha dos créditos: se pagar sem juros tenho de pagar o preço real (3 ordenados); se pagar o preço promocional cobram-me juros e acabo por dar mais dinheiro do que o valor real do piano. Chamem-me parva, mas escolho a primeira opção.
Assim, algures este mês, já vou ter com que chatear os meus adorados vizinhos.

P.S.: Ainda quero um piano de parede pelo Natal...

terça-feira, fevereiro 01, 2005

prepara-te sónia, o puto está de volta...

Pois é, o rapaz da cicatriz vai voltar às prateleiras no dia 16 de Julho, com a edição do livro Harry Potter and the Half-Blood Prince. Está confirmada uma extensão ligeiramente inferior à do quinto livro (desta vez, 672 páginas) e resta-me esperar que não seja a desilusão que foi o Order of the Phoenix.
Mais do que o universo criado, o que me prende aos livros é a sequência de segredos que vão sendo revelados ao longo da história. Ler mais de 700 páginas para "descobrir" algo que qualquer leitor já sabe, não é agradável. (Sem contar com a nova professora de Defense Against The Dark Arts, demasiado parecida com uma certa docente de Inglês com quem andei às turras...)

Os eventuais fãs podem espreitar o site da Rowling que vale pelos gráficos e pelo toque pessoal, desde a autobiografia (onde se pode ver uma nota de 10 mil escudos) a uma secção onde a autora desmente boatos vários, como o de que o Lord Voldermort é o verdadeiro pai de Harry: "You lot have been watching too much Star Wars".

harry

sábado, janeiro 29, 2005

A crónica constipada

Peço desculpa a todos os meus admiradores mas a minha habitual colaboração das 5ªsfeiras ficou no tinteiro – que é como quem diz, no computador ou ,melhor dizendo, nem chegou a entrar…

Isto um homem não é de ferro e, depois do Paulo Portas ter apresentado governo, do Louçã ter dito o que disse ao Portas e do Freitas apelar ao voto em Sócrates, os meus neurónios entraram em crash. Foi aí que chegou a constipação. Não a constipação metafísica do Pessoa, mas uma constipação de atchim e muitos lenços de papel sujos.

Finalmente, a leitura da última crónica do Ferreira Fernandes, na última página da Sábado desta semana (Sábado que, como o nome indica, sai à sexta feira) deu-me tema para botar umas palavras.

Malta, vocês que navegam quase todos nas águas da literatura e nos abismos insondáveis das semânticas, leiam aquela crónica. E, por favor, aprendam a falar claro e simples. Vocês vão educar os futuros políticos e gestores… Denunciem a verborreia pseudo-culta, desde os bordões do "eu diria que…" (então diz, porra!), o "nomeadamente" e "na medida em que", até aos polissílabos estrambólicos que só escondem o vazio de ideias e propostas de quem as usa.

Lembro-me da apresentação pública do "Consumactor", um livro de que fui co-autor com Beja Santos (edição Temas e Debates). Um professor universitário, disse que iria propor o livro para os seus alunos, só lamentava a sua linguagem demasiado acessível, imprópria de um trabalho universitário. Como tal linguagem fôra a minha contribuição para o livro, contei até 10 e consegui não lhe apertar o pescoço ali em público.

Transcrever o FF? Estou muito constipado. Comprem a revista, que vale a pena.

Artur Tomé

noitada

Seis mil e-mails por responder.
Abastecimento de sementes de girassol com tamari e gengibre, bolachas integrais de flocos de aveia, sementes de sésamo e farinha de trigo, garrafa de Pleno Tisanas de chá preto (98% do qual é água, mas enfim...).
Seis mini-discs e o namorado como companhia.
Sou animada por pérolas como:
"espero que fação"
"agora que tenhem os meus dados"
"com vosco"
"que vosses me inviaram".

Querem rave melhor que esta?

quinta-feira, janeiro 27, 2005

no próximo Natal quero

um piano de parede...

piano

... porque um de cauda não me cabe em casa.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Jack Kirby , o rei dos super-heróis

kirby kirby2

Já que falei em Will Eisner, nada mais natural que referir outro dinossauro da BD americana, o espantoso Jack Kirby (1917 – 1994).
Nascido por altura da Primeira Guerra Mundial, Kirby começou a desenhar pouco depois de sair do berço, tendo colaborado em todo o tipo de publicações imagináveis e trabalhando qualquer género que lhe encomendassem: histórias de terror, romances ingénuos, histórias de aviação, super-herois… em todas as áreas Kirby deixou marca e uma quantidade impressionante de trabalhos.
A fama chegou em 1941, ao criar visualmente as histórias do Capitão América. Contra a onda ariana do nazismo, os laboratórios americanos transformam um rapaz lingrinhas num super soldado, alto, forte e louro – provando assim que podiam ser mais nazis que Hitler.
À semelhança dos restantes super-herois então surgidos, também o Capitão América entra na guerra contra o Eixo antes dos EUA se envolverem no conflito, o que pode ser explicado pelo facto de a maioria dos seus autores ser judia.
Com os tempos de paz, o Capitão América vai ficando no esquecimento e acaba por desaparecer de vez. Kirby assume vários trabalhos de chacha para sobreviver, até que, em 1961, faz parceria com o escritor Stan Lee na editora Marvel e juntos criam o Quarteto Fantástico, Hulk, Thor e várias outras figuras que relançam um género que parecia esgotado há muito.
O autor destas linhas ficou especialmente extasiado como Kirby, à boleia das aventuras de Thor na Terra, recria os principais episódios da mitologia nórdica, como se de uma serie de aventuras se tratasse, dando rédea solta à sua criatividade para criar armas, roupas e adereços de forma a poder apresentar uma página dupla com um exército onde não se vêem duas figuras humanas com a mesma arma ou mesma roupa.

Depois surge o corte com Stan Lee e Kirby passa para a editora rival, a Detective Comics, onde relança histórias do Super-Homem e cria um mundo do Mal, Apocalyps, regido por um temível Darkseid. Sim, muito antes do início das filmagens da Guerra das Estrelas.

Criativo até ao último fôlego, os universos de Kirby são um marco monumental na história da narrativa gráfica.

Artur Tomé

quarta-feira, janeiro 19, 2005

as coisas que a gente aprende no canal História...

Petersburgo

Reza a lenda que, em inícios do século XVII, apareceu um polaco que se dizia filho de Ivan, O Terrível e se tornou czar. Cerca de um ano depois, descobriram-lhe a careca e mandaram-no de volta para a Polónia à boa maneira russa: prática e económica. Mataram o senhor, queimaram-no, puseram as cinzas num canhão e apontaram para a Polónia.
E ainda me perguntam porque é que a Mãe Rússia me fascina...!

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Eu não queria estar sempre a falar de trabalho, a sério que não... Mas ponham-se no meu lugar:
Tiram-vos dos telefones para responder a e-mails. Recebem um mail que tem como remetente alguém cujo servidor é o Ministério da Educação. O subject é "Aderência à Sport TV" e o senhor diz que o serviço de apoio a clientes é "incipiente".
E perdem a pouca fé que ainda tinham no futuro da Língua...

sexta-feira, janeiro 14, 2005

também quero...!

"1893 - [Edvard Munch] Contacta com o círculo literário do Porquinho Preto em Berlim".

Porquinho Preto...?! Anda uma pessoa a contribuir para blogs litarários com nomes como "Avant-Scène", quando podia fazer parte de algo com um nome tão catita como Porquinho Preto...
Aceitam-se sugestões ;).

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Will Eisner 06.03.1917 – 03.01.2005

Spirit

Morreu, no princípio deste ano, um jovem de 87 anos. Morreu Will Eisner, o argumentista e ilustrador que, nas década de 30 e 40, ajudou a criar a onda editorial da BD americana de super-heróis que, na década de 50, criou Spirit, o primeiro dos heróis mascarados (sim, o Lee Falk criou o Fantasma, mais ou menos na mesma época, mas o grafismo e argumentos de Eisner eram muito mais inovadores) e que, na década de 80, voltou a inovar o mercado americano com as graphic novels.
Na década de 30, para além de autor, tornou-se também editor, tendo trabalhado com artistas como Bob Kane, o primeiro desenhador e co-autor de Batman e com Jack Kirby, outro dinossauro criativo, autor de ícones como o Capitão América e Quarteto Fantástico.
Como editor, talvez o seu maior desaire foi ter recusado o trabalho de dois jovens, Jerry Siegel e Joe Shuster, que procuravam quem publicasse o seu herói que dava pelo nome de Superman.
O principal prémio na área da BD tinha o seu nome, ainda ele era vivo e muitos trabalhos haveria de publicar desde então. "The building" e "A contract with God". Foram duas das suas obras-primas (ok, se é obra-prima, só há uma, adiante) onde inundou as páginas com a sua ternura pelo ser humano, mesmo nas situações mais miseráveis, e com uma arte gráfica sempre inovadora e enganosamente simples.

Artur Tomé

quinta-feira, janeiro 06, 2005

pensamento da noite

"Se os homens são todos iguais, porque é que as mulheres demoram tanto tempo a escolher?"

Já dizia o meu amigo Orwell: há uns mais iguais que outros...

As Fontes do Paraíso de Arthur Clarke

Este livro é uma colectânea de contos disfarçada, tantas são as histórias que se entrelaçam, no tempo e no espaço. (*)
O tema principal é um sistema revolucionário de partida para o espaço: não com foguetes, mas… de elevador. Admitindo a produção industrial de uma nova fibra muito mais leve e mais resistente que o aço – e várias soluções estão presentemente em estudo nesse campo – Clarke imagina quatro fios estendidos de um satélite geostacionário para a Terra, e continuando, desse satélite, mais para o exterior ainda, um gigantesco tubo com centenas de quilómetros de altura... ou de comprimento, conforme a perspectiva de quem o olhar.
Esse tubo pode servir de gaiola para deslocar uma cápsula espacial que funciona como elevador, movida apenas pela corrente eléctrica que passa pelos fios, ou como canhão de lançamento de naves espaciais, reduzindo em muito a despesa de tais lançamentos.
Vários são os problemas de engenharia debatidos ao longo do livro, bem como questões políticas (o engenheiro inventor do fio é funcionário público, trabalhando numa EDP planetária, mas quer ser ele a controlar o projecto).

Engenheiros e budistas
Mas o principal problema de engenharia é de natureza religiosa.
Só existe um ponto ideal para ancoragem do elevador na Terra. Esse ponto ideal fica no topo de uma montanha, ao nível do Equador, situado num país inventado por Clarke mas que é uma cópia quase fiel do Sri Lanka. Sucede que no topo de tal montanha existe um mosteiro budista, com direitos ancestrais sobre o local e que não fazem qualquer tenção de abandonar o local.
Os problemas de engenharia do elevador cruzam-se com a história da origem do mosteiro, dando Clarke largas ao seu fascínio pela tradição e filosofia budista, à mistura com estudos sobre neutrinos que desenvolvem uma teoria, cara ao autor, segundo a qual o nosso Sol está prestes a dar as últimas (não se assuste o leitor: a nossa estrela dura ainda cerca de 1000 anos; depois… funde-se, e nós com ela).
Para temperar tudo isto, montes de citações, na maioria inventada pelo autor, com comentários sarcásticos sobre a nossa civilização, fazem de "As Fontes do Paraíso" uma viagem fascinante pela História do pensamento religioso e ético da espécie humana.

(*) editado em português pela Europa América

Artur Tomé

quarta-feira, janeiro 05, 2005

liberte a criança que há em si

neverland

Em criança passava tardes a ouvir a cassete áudio com a versão brasileira da Disney. Li o livro. Vi o "Hook". Auto-diagnostiquei-me como tendo síndrome de Peter Pan. Hoje saí do trabalho e fui ver o filme sobre o autor.
"Finding Neverland"/"À Procura da Terra do Nunca" romanceia a vida de J. M. Barrie, dramaturgo escocês, e a sua inspiração para a peça "Peter and Wendy", que mais tarde adaptaria para livro - o clássico infantil "Peter Pan". Resumidamente e sem querer denunciar muito do filme, Barrie (o versátil Johnny Depp que insiste em usar eye-liner...) torna-se amigo de uma viúva (Kate Winslet) e dos seus quatro filhos. Barrie baseia-se na mais problemática das crianças para a figura central da sua nova peça: Peter é, dos quatro, o que menos se deixa levar pela imaginação, sempre relutante em fazer parte das brincadeiras de piratas, índios ou cowboys.
Pelo meio temos a avó austera que dá origem ao Capitão Gancho (Julie Christie) e o director do Teatro (um hilariante Dustin Hoffman, outrora Gancho himself).
Todo o filme gira em torno da ideia de que as coisas existem desde que acreditemos nelas - e que deixamos de ser crianças a partir do momento em que vemos essas mesmas coisas como elas são na "realidade" (conceito bastante subjectivo, a meu ver...). É divertido, comovente mas, acima de tudo, faz-nos sentir como se tivéssemos outra vez 8 anos.
Uma delícia.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

para a J.

Now as a spirit
I shall roam
the summer fields.


- Hokusai (poema jisei) -

sexta-feira, dezembro 31, 2004

e venha outro...

fireworks

Um bom 2005 a todos e boa passagem de ano, que vou estar a trabalhar até às 2 da manhã, muito provavelmente só para atender clientes que não conseguem ver o Herman... e sem sistema informático!

quinta-feira, dezembro 30, 2004

Arthur C. Clarke - onde a religião encontra a ciência

clarke

O maremoto que assolou a Ásia e arrasou o Sri Lanka fez-me recordar o mais famoso habitante desta região, o muito britânico Arthur C. Clarke.
A religião de que se fala no título não tem nada a ver com credos eclesiásticos. Religião é aquele sentir da unidade entre nós e tudo o que nos cerca, um sentimento de… awe perante o universo em que vivemos e uma curiosidade infantil perante as possibilidades do despertar das nossas potencialidades ou evolução no seu sentido mais lato.
Nenhum escritor, como Clarke, manteve os pés tão cravados na realidade da ciência e tecnologia e elevou tão alto essa aspiração pelo transcendente. Já no prefácio de 2001 ele recordava que, desde o surgimento da espécie humana até hoje, deverão ter nascido uns 100.000 milhões de criaturas humanas. Curiosamente, esse é o número estimado de estrelas da nossa galáxia. Portanto, para cada ser humano que pisou a Terra, existe na galáxia uma estrela que lhe pertence…
Não é um raciocínio que se ouça muito aí na boca dos engenheiros.
Como já toda a gente viu a belíssima seca que é o filme 2001 (o livro é melhor e menos confuso que o filme), deixem-me destacar dois livros que considero obras primas obrigatórias.

Rendez-vous com Rama
Da profundidade do céu, disparando para a proximidade do Sol, os telescópios detectam…é um asteroide?, é um cometa? Não, é um objecto metálico parecido com uma lata cilíndrica, com 50 km de comprimento e 30km de diâmetro e que gira sobre si próprio. O livro narra a visita de uma expedição ao interior de tal objecto, designado como Rama.
Não, Rama não está habitada. Caminhar lá dentro faz os astronautas sentirem-se como formigas… Três escadas radiam do eixo da entrada na base para as paredes, onde há estruturas que parecem cidades. Dado o movimento de rotação da lata, a gravidade manifesta-se do eixo para as paredes. Os astronautas caminham pelo interior da tampa, primeiro e das paredes depois, acompanhados por potentes projectores que transportam consigo, que iluminam poucos centenas de metros à sua frente.
Só que, à medida que se aproxima do Sol, as paredes de Rama aquecem e uma serie de sistemas automáticos são accionados. Como, por exemplo, três conjuntos de gigantescas lâmpadas.
A descrição do choque dos exploradores quando todo aquele interior se enche de luz e se vêem, colados às paredes, a olhar lá para baixo, é de dar vertigens. Depois há mares congelados que se derretem, atmosfera interior que aquece e cria furacões, mar que evapora e cria nuvens que se elevam para o eixo do cilindro e donde cai chuva - chuva que "cai" do eixo do cilindro, para o interior das paredes, descendo em curva, devido à rotação do cilindro que é Rama!… Clarke dá uma aula de mecânica celeste disfarçada de livro de aventuras extremamente fascinante.
Quem fez Rama, o que é Rama e quais os seus objectivos são perguntas que vão tendo respostas surpreendentes até à última linha do livro. Não vale a pena ir lá espreitar. A última frase é "Os ramanos fazem tudo em triplicado" mas só quem leu o livro até aí é que se apercebe do sobressalto que aquela última frase provoca. Sobressalto que é a pitada de religiosidade clarkiana no seu melhor.

Obs: "Rendez-vous com Rama" deu origem a uma sequela de outros livros, escritos em parceria com outro autor. Esqueçam-nos. Piores e mais vazios que as sequelas de 2001.

Obs 2: "As Fontes do Paraíso" ficam para a semana.

Artur Tomé

quarta-feira, dezembro 29, 2004

então adeus

tragicmask

Todos os dias faço uma ronda diária ao blogs que tenho nos favoritos... e todos os dias me encho de esperança que o meu amigo Miguel que agora é Eduardo, tenha parado de andar às voltas com o Vivaldi e regressado para dar sinais de vida... até hoje me te deparado com a seguinte mensagem:
"The requested URL was not found on this server. Please visit the Blogger homepage or the Blogger Knowledge Base for further assistance."
E é com muita pena que digo adeus às doenças com nomes russos e a relatos sobre discotecas da moda e a cartas de inveja a poetas...

sexta-feira, dezembro 24, 2004

Depois de ter passado um semestre inteiro a ter aulas numa série de departamentos que não são o meu, tive um ataque de nostalgia e adicionei uma data de links para páginas de alguns dos meus autores preferidos. Há uma página oficial do Oscar Wilde, mas é tão pobrezinha que me decidi por outra com uma abordagem biográfica bastante original. Quem não conhecer o Robert Herrick (autor de "To The Virgins To Make Much Of Time", citado n'"O Clube dos Poetas Mortos") não se assuste com a música irritante da página de entrada, porque as outras são silenciosas ;).
Dito isto, um feliz Natal para todos e aqui fico para os quiasmos que me esperam no 2º semestre...!

quinta-feira, dezembro 23, 2004

A aristocrata que cresceu na rua

Modesty&Willie

Modesty Blaise surgiu na década de 60 e fez mais pela igualdade de direitos entre os sexos do que todas as revoluções da moda de então.
Ao contrário do retrato das mulheres propalado pelo marialva do James Bond, Modesty era uma mulher à beira dos trinta anos, rica e independente após se reformar de uma intensa vida à testa de uma rede criminosa internacional. O seu criador, Peter O’Donnell, lançou-a primeiro em banda desenhada, com o apoio inestimável do desenhador Jim Halloway, e depois em livro onde revela uma qualidade narrativa muito superior à de Ian Fleming, o pai do 007.
E, enquanto Bond tem uma atitude superior em relação às outras nacionalidades e cores de pele, num desprezo a roçar o racismo, Modesty sente-se em casa tanto num mercado em Marraquexe como num leilão de obras de arte em Veneza..
Perita em todas as formas de combate, Modesty tanto se impõe naturalmente no comando de uma tropa de mercenários (no livro "Dente de Sabre"), como apaga todas as mulheres presentes em qualquer salão ou restaurante topo de gama (que provavelmente pertence a um ex-colaborador seu, cujo negócio ajudou a financiar).
Como seu aliado principal, Willie Garvin, um ex-combatente da Legião Estrangeira, rude e violento, que Modesty educou e que se tornou no seu guarda-costas, confidente e companheiro de aventuras na vida civil.
A relação entre Willie e Modesty é o ponto mais original da série. Willie, um atleta de sotaque cockney, emérito atirador de facas, tem uma adoração canina pela sua parceira. Tendo cada um vários romances, a sua relação é platónica mas mais íntima do que a que possam ter com qualquer namoro de ocasião.
E muitos são os motivos de fascínio em Modesty. Fugindo em criança de um campo de refugiados do pós-guerra, Modesty é gente, muito mais rica de personalidade, cultura e feminilidade do que a vazia Lara Croft que décadas depois a tentou imitar.

terça-feira, dezembro 21, 2004

Yule

Yule

Para os mais distraídos, celebra-se hoje o Solstício de Inverno, também conhecido por Yule.
Nos tempos pagãos comemorava-se a noite mais escura e fria do ano como aquela em que a Deusa dava à luz o Deus Sol, a Criança da Promessa, pois a partir desse momento os dias tornam-se mais longos, representado, assim, o regresso da luz. (Não nos faz lembrar nada, pois não...?)
Levava-se uma árvore para dentro de casa como forma simbólica de proteger a Natureza do frio. Visto ser o dia em que se dava as boas-vindas ao Deus, a árvore era decorada com bolas, velas e outros pendentes (nada mais nada menos do que símbolos fálicos) e no topo da mesma era colocado, não a Estrela de Belém, e sim - surpresa, surpresa - um pentagrama.
E esta, hein...?

quinta-feira, dezembro 16, 2004

Ironia britânica

Leslie Charteris nasceu na Indonésia, educou-se em Inglaterra e aí começou a publicar os primeiros livros do Santo. Estávamos no início da década de 1920 e Simon Templar é uma espécie de Robin Hood que combate os mercadores da morte, como então se chamavam aos negociantes de armas. Elegante, anarca, tem a cabeça a prémio em vários países. Mais do que as histórias, é o humor muito british de Charteris que dá fama literária à figura do Santo.
Mais tarde, o Santo evita uma guerra, é amnistiado e passa a combater criminosos ricos, fazendo justiça pelas suas mãos. As parecenças com Robin Hood limitam-se a que ele também rouba os ricos maus. E fica-se por aí.
Depois Charteris instala-se nos Estados Unidos, naturaliza-se americano apesar de ser mestiço de asiático e branco, convive com Hemingway e Errol Flynn e enriquece com sucessivas adaptações ao cinema. O seu Santo vai-se civilizando no mau sentido, as aventuras épicas iniciais tornam-se em contos onde os adversários estão ao nível das Lili Caneças e falsos jet setters americanos, acabando a sua decadência criativa nas adaptações televisivas interpretadas por Roger Moore.
Dos seus livros, recomendo vivamente "O Santo e os diamantes roubados" para quem gosta de acção imparável e "o Santo no mar alto" para quem prefere suspense e romance. Todos editados na Colecção Vampiro.
Há dias descobri uma carta de Charteris que é um exemplo notável do seu sentido de humor.

How To Pronounce My Name

From A Letter from the Saint, May 9, 1946
Since I am sure you will all want to tell your friends about this wonderful service, [A Letter from the Saint] and since my name occurs so often in any intelligent conversation anyhow, this seems like a good time to start you off on the right foot in the matter of pronouncing my name.

When I picked myself this distinguished cognomen it never occurred to me that such a superficially simple arrangement of letters could be so easily butchered and mutilated. It is somewhat humiliating for what should by this time be a household word to hear itself so frequently pronounced as "Charteers", "Sharteers", "Shartroos", and worse.

There is no trick to it at all if you relax. The "Chart" is pronounced exactly like "chart", the thing you steer boats with. The "er" is pronounced exactly like "er". Put them together and you get "Charter", pronounced as in Magna. The "is" is the only catch, and should be articulated by placing the tip of the tongue behind the front teeth, if any, and exhaling in a sharply sibilant manner which should not however attain the dimensions of a whistle. If either tongue or teeth are not available, a fresh soda siphon may be employed to produce a similar effect.

For the benefit of those really fascinated by the subject, the British aristocracy, several of whom dangled from this family tree, pronounced the name, in their quaint way, as "Charters"; the "i" being silent as in monocle.


Artur Tomé

terça-feira, dezembro 14, 2004

também tu brutus...?

o que fazer ao descobrir que até os professores têm blogues...?

sábado, dezembro 11, 2004

o crime

Rapaz mata mãe e avó com um sabre. A TVI entrevista os vizinhos e segue-se o seguinte diálogo:
Vizinha: Ele sempre foi muito simpático. Muito acessível, bem-educado. Mas sim... acho que tinha algo de estranho... era... não sei, muito quieto...
Jornalista: Depressivo?
Vizinha: Sim... isso! Depressivo.
É bom saber que há jornalismo sério nos dias que correm. Eles bem dizem: só na TVI...

quinta-feira, dezembro 09, 2004

promethea

prometeia

I am Promethea
The child who stands
Between fixed earth and insubstancial air,
A thought who yet treads matter’s
rain swept strands,
and mortals are the sandals that I wear

I am Promethea,
From mind's pure light
I stoop into Earth’s gloom.
From fable’s day
descending into Fact’s cold
weighty night,
from lyric atmosphere to mammal clay..

I am Promethea,
the rummored one,
the mythic bough that reason strains to bend.

I am the voice left, when the book is done
I am the dream that waking does not end.

Promethea
De Alan Moore (texto), J.H. Williams III (desenho) e Mick Gray (cor)

Trata-se de uma obra em 4 volumes, totalmente diferente de tudo o que o género da banda desenhada deu à luz até agora... Viagens e aventuras pelos vários planos da existência, num vórtice de cores e sensações estranhas mas fascinantes. Talvez a primeira BD esotérica.
O 1º volume pode ser uma excelente prenda de Natal. Quem avançar na leitura pelos outros volumes fá-lo-á seu próprio risco.

Artur Tomé

quarta-feira, dezembro 08, 2004

dia da mãe

Quando era pequena adorei descobrir que o 8 de Dezembro era o antigo Dia da Mãe, porque era esse o dia de anos da minha mãe. Como agora é apenas um feriado religioso (aos quais nunca ligo) e já não há festa de anos, celebro-o ao fazer sempre a árvore de Natal dia 8. Não deixa de ser uma festa...!
Já tinha editado este texto no extinto Território Literário mas não podia deixar passar o dia de hoje sem o incluir aqui, no meu cantinho:

os pés da minha mãe

Quando era pequena e andava, como sempre adorei andar, descalça pela casa em dias quentes de Verão, perdia o que na altura me pareciam horas a olhar para os pés da minha mãe, também eles descalços pois o corpo do qual faziam parte não suportava quaisquer amarras mesmo que sob a forma de tecidos ou calçado. Olhava para os pés dela e comparava-os aos meus. Para além da óbvia discrepância a nível de proporções, a diferença que mais me chamava a atenção (diria até, a que mais me chocava), estava na textura. Os pés da minha mãe tinham as palmas revestidas de pele que, com o passar do tempo e o passar por estradas, se tornara áspera, dura, formando o que me pareciam ser quase cascos. "Os meus pés nunca vão ficar assim," pensava eu. "As bailarinas têm pés suaves, como as princesas." Mais tarde vim a descobrir, por experiência própria, que o que as bailarinas têm são bolhas infernais…
Mais tarde ainda apercebi-me de que também a minha mãe tinha o porte e a postura das princesas da dança. Os pés eram práticos mas movimentava-os com a melhor das elegâncias.
Os pés da minha mãe já não andam e não consigo deixar de sentir que cada um dos seus calos vai, a pouco e pouco passando para os meus próprios pés, à medida que percorro o mesmo tipo de estradas por onde ela andou. Só espero que com a mesma graça.

sábado, dezembro 04, 2004

pedimos desculpa pelo incómodo...

...mas o meu computador entrou em coma e alguém que não vou dizer que foi o meu pai teve a bela ideia de inserir um CD de recuperação que tem como defeito formatar todo o conteúdo do nosso belo iMac (também não vou referir o facto de, da última vez que o mac entrou em coma, ter-se conseguido usar o CD de recuperação e salvar TUDO...).
Isto para dizer que o texto semanal do meu pai se perdeu num qualquer buraco negro cibernético e que vos estou a escrever directamente do meu local de trabalho (eu tão vou ser despedida...) para que desculpem qualquer coisinha.
Retomaremos a emissão assim que possível.

terça-feira, novembro 30, 2004

deixai vegetar as criancinhas

Aqui há dias veio-me parar às mãos um qualquer artigo em que um qualquer médico (deduzo que pediatra) defendia que passar trabalhos de casa a crianças é um acto de violação dos seus direitos por privá-los da sua liberdade e não lhes permitir desenvolver a sua criatividade.
Obviamente.
Para quê impedi-los de aproveitar o precioso tempo que têm para brincar, dando-lhes exercícios de Matemática que em nada melhoram a sua rapidez de raciocínio ou mesmo dizer-lhes que escrevam composições quando estas não aumentam o seu poder de auto-expressão? Pior: para quê sobrecarregá-los com o peso da enorme responsabilidade que é fazer os deveres para o dia seguinte? Um ultrage, sem dúvida.
Deixem-se, então, de crueldades e injustiças e as pobres criancinhas que passem a infância sentadas em frente à TV, ao computador ou a brincar com o telemóvel, pois só assim estarão verdadeiramente a aproveitar a liberdade a que têm direito... e, claro, a desenvolver a criatividade que ainda têm tão desperta. Afinal de contas, quando chegarem à idade adulta vão ter tantas preocupações e responsabilidades que, prepará-los já para isso, não será senão traumatizante.
Conhecimento, agilidade e capacidade de trabalho? Quem é que precisa disso...?

sábado, novembro 27, 2004

Se Shakespeare tivesse um computador portátil…

Há muitos séculos atrás, numa galáxia distante… melhor dizendo, antes que uma senhora inglesa se chateasse com o marido português e começasse a escrever longos livros chatérrimos sobre um adolescente imbecil chamado Harry Potter, o autor mais vendido em Inglaterra chamava-se Terry Pratchett.

Claro que ser um top de vendas nada significa quanto ao valor literário do autor – mas Pratchett construira um universo de figuras coerente, delirante e profundamente bem estruturado. O seu Discworld é uma sociedade de natureza medieval, habitada por seres humanos, vampiros, trolls e toda a parafernalia das histórias de fadas. Há a Guilda dos Ladrões e dos Assassinos (que passam recibos e pagam impostos ao Estado sobre o seu trabalho), há uma Universidade de Magia, The Unseen University, (à volta da qual gravitam magos poderosos e feiticeiros de meia tigela), a Guarda do Palácio, as 3 bruxas do Hamlet e a Morte, entre outras figuras inesquecíveis que agora não me ocorrem.
As aventuras de Discworld não têm heróis residentes. Qualquer das principais personagens de uma história pode ser figurante noutra ou estar ausente em meia dúzia de livros. Nem o tom da escrita se mantém: as aventuras da Guarda são um misto de capa e espada e 007, algumas aventuras com magos contêm cenas assustadoras, as intervenções das 3 bruxas são de gargalhada pegada. Em quase todas as histórias Death está presente como supporting character, comunicando telepaticamente com as pessoas EM MAIÚSCULAS – à excepção do livro Mort, em que Death contrata um aprendiz não muito inteligente o qual cria um sarilho de dimensões cósmicas ao impedir que uma linda princesa por quem se apaixonara seja morta na data devida.

Aventura, terror ou comédia, Discworld é um mundo de literatura ligeiramente louca, ligeiramente surrealista, que revela um autor de imaginação prodigiosa que nunca deixa de nos espantar, encantar e divertir.

Artur Tomé

pratchett

finalmente o Pratchett!

Excepcionalmente - e talvez por ser, de todos os autores que o meu pai me tenta fazer ler, o único que já li, e adorei (será que os outros também são assim tão bons...?) - segue-se um post sobre o Terry Pratchett. A vantagem que os livros dele têm sobre Rowlings ou Zimmer Bradleys é o facto de, apesar do universo criado ser o mesmo, as personagens alternarem de forma a que leitor nunca se canse delas nem do tipo de história. Leiam. Vão ver que vale a pena. (Nota mental: não terminar posts com frases que soem a slogans...)

loiras amadoras de seios grandes

Recebi ontem um e-mail do meu estimado amigo Pedro, a informar que tinha criado um blog em parceria com o nosso amigo Pedro. Quem os conhece sabe que dali não pode sair coisa boa... Por enquanto é post atrás de post de indecisão sobre o que hão-de escrever, mas vai ser interessante ver a evolução que o blog terá. Para quem não conhece nem o Relógio nem o Santarém, recomendo que espreitem .
Publicidade de graça... querem melhor, meninos?

quinta-feira, novembro 25, 2004

O Rasputine da Banda Desenhada

Pode parecer uma provocação apresentar um argumentista de BD como um autor a merecer o interesse dos leitores deste blog. Mais ainda se eu disser que considero o homem um dos maiores autores da língua inglesa.
Para piorar as coisas, duas das suas obras foram adaptadas ao cinema de forma desastrosa. "A Liga dos cavalheiros extraordinários" deve ser o pior filme que eu vi na vida e "From Hell" é uma coisinha delicodoce comparada com o tenebroso negrume da BD que lhe deu origem. Basta folhear o album aí pela FNAC , e ver a espessura (em páginas, em texto, em imagem… e em preço!, cerca de 40€) para se perceber que aquele volume tem matéria para três ou quatro filmes que tirariam o sono a qualquer um.
Alan Moore é negro na escrita e tem uma cultura enciclopédica sobre ciência, História e ocultismo. O seu livro "From Hell", que versa uma explicação do tema Jack, o estripador, é um tratado sobre a Maçonaria, desde o seu funcionamento interno até à simbologia maçónica na arquitectura e urbanismo de Londres. Também é um retrato arrepiante sobre a forma como eram tratados os doentes mentais no sec XIX.
Moore alcançou notoriedade mundial quando revolucionou o tema dos super-heróis com o seu álbum "Watchmen" e transformou uma figura menor da BD, "O monstro do pântano" numa série de terror de culto. Depois criou "V for vendetta" com um vingador tipo Fantasma da Ópera num hino à anarquia no meio de uma sociedade à la 1984.
Nas suas obras, não há personagens secundárias. Mesmo as figuras que aparecem em 2 ou 3 imagens têm personalidade e história próprias. Histórias que se entretecem com as de outros, de tal forma que, à 3ª ou 4ª leitura, ainda estamos a descobrir dados novos.
(continua)

vendetta

enquanto o meu pai não escreve nada sobre o Pratchett...

(não quero, de forma alguma, que te sintas pressionado!) ...aqui vai uma citação do livro "Sorcery", que ainda não li, mas onde, pelos vistos, aparece novamente a Morte, aqui surpreendentemente sábia:

"I meant," said Iplsore bitterly, "what is there in this world that makes living worthwhile?" Death thought about it. "CATS," he said eventually, "CATS ARE NICE."

death

star struck II

- TV Cabo, boa noite, fala Marta Tomé. Em que posso ser útil?
- Boa noite. Desculpe incomodar... Daqui fala Simone de Oliveira.

wow!

terça-feira, novembro 23, 2004

insólitos

E qual não é a minha surpresa ao atender uma chamada de um cliente que teve o Playboy, trocou-o pelo Sexy Hot e liga a reclamar:
- Oh menina, aquilo é uma pouca-vergonha, menina! Uma mulher com três homens ao mesmo tempo?? Eu sou um homem casado, menina, não posso ver essas coisas!
Ele há com cada um...

quinta-feira, novembro 18, 2004

perseguição...?

shiva

Fiz uma exposé a Francês sobre o Hinduismo e pus toda a gente a debater a hipótese da reencarnação. A John fez um post sobre o Om que deixou os seus leitores muito curiosos.
Encontrei uma amiga de infância indiana que não via há uns bons 2 anos e que se ofereceu para me levar a visitar o Templo Hindu em Telheiras quando eu quiser. A História Comparada das Religiões começámos a dar as Religiões da Ásia Oriental.
Estou-me a sentir um tanto ou quanto perseguida, mas nem me importo muito... :)

Para acabar de vez com as trilogias

Não contente com ter publicado dois textos meus numa mesma semana, a dona deste site pôs os pés à parede:
- Não podes escrever só dois textos quando comentas uma trilogia de cinco volumes. É preciso, pelo menos, mais outro.
A escravatura já acabou, minha gente.
Mas sempre aproveito a falta de tempo e inspiração para citar uma passagem da série, o que talvez ajude a perceber o caos em que caímos quando mergulhamos na sua leitura.

"There is a theory which states that if anyone discovers exactly
what the Universe is here for and why it is here, it will instantly disappear and be replaced by something even more bizarre and inexplicable."

E, virando a página,

"There is another theory which states that this has already happenned."

E, por hoje, é tudo. A não ser para anunciar que descobri o meu objectivo na vida deste blog. Uma vez que muitos dos seus leitores estudam cultura inglesa, assumo a missão de revelar autores fundamentais que não são dados a conhecer em nenhuma cadeira da Nova.


Artur Tomé

Próximo autor: Alan Moore
alanmoore


vou ser tia! (como quem diz...)

MUITOS parabéns à Fátima que, daqui a seis meses, será a minha primeira amiga a ser mamã :).
Tenho a certeza que a Dalila vai adorar as histórias para dormir: os irmãos Grimm não te chegam aos calcanhares.

mamã

sexta-feira, novembro 12, 2004

star struck

Fui ao El Corte Inglés beber café. Depois de horas a arrastar um muito paciente namorado, à procura de saias ou vestidos compridos (ando com desejos...) e de perceber que só os há em versão gala, descemos de piso e fui espreitar os livros. Pelo caminho deparei-me com uma série de cartazes de livros da Joanne Harris, que rodeavam uma mesa onde estava uma senhora sentada com funcionárias do El Corte à volta. E não é que era a Joanne Harris...?
Peço autógrafo, não peço autógrafo? Oh, minha Deusa, é mesmo a Joanne Harris...!
Aproveitei. Não havia fila e só tive que esperar que um casal deixasse de conversar com ela para lhe pedir uma assinatura. Ainda fui interpelada por uma das raparigas, que me perguntou se eu era da revista Mariana... Hell, no! Chegou a minha vez e lá lhe dei uma folhinha que a senhora - muito mais despachada e decidida que aparenta ser nas fotografias angelicais dos livros - me autografou. Ao ir-me embora, o namorado deu-me na cabeça por não ter conversado com ela... Como me tinha deixado somente a assinatura, ele pegou na folha e foi ter com a escritora pedir que acrescentasse o meu nome.
Que ela escreveu sem "th", pela primeira vez na minha experiência com anglo-saxões...

joanne e gatinho

quinta-feira, novembro 11, 2004

A trilogia em cinco volumes

"Esclareço que escrevo este texto no pleno uso das minhas faculdades mentais. Não bebi, não fumei nem ingeri sob qualquer forma nenhum produto com efeitos psicotrópicos. Esta trilogia é que é louca por natureza."

guide

"The Hitchicker's Guide To The Galaxy" é um projecto de Douglas Adams que começou como programa de rádio, passou a livro e se tornou uma lenda de culto que anda há que anos para ser adaptado ao cinema. Há por aí um trailer que não adianta muito…
A história é mais ou menos assim:
Algures no Universo, uma civilização decidiu criar um computador que pudesse responder à grande questão sobre Deus, o Universo e Tudo o mais. O projecto teve a oposição do Grémio dos filósofos e psicanalistas lá do sítio, que viam os seus empregos ameaçados. Mas, uma vez construído, o computador anunciou que, sim senhor, podia computar tal resposta mas que isso ia levar tempo – uns milhares de anos.
O tempo passou e, finalmente, o computador anunciou ter encontrado a resposta: quarenta e dois.
Só face a tal resposta é que se percebeu que ninguém sabia qual era a pergunta. E para a definir foi construído outro computador maior – a Terra – que processaria a resposta dentro de alguns milhões de anos.
Quando a resposta está prestes a ser calculada, uma esquadra dos terríveis Vogons, cujo comandante é manipulado pelo seu psiquiatra privativo, arrasa a Terra com um pretexto fútil.
Sobrevivem apenas dois terrestres: Arthur Dent, um trintão pató que é resgatado por um amigo de longa data, de seu nome Ford Perfect, que era afinal um ET que viajava pelo Universo à boleia: e Trillian, uma moça inglesa que partira tempos atrás com um namorado que era o Presidente do Universo e que viajava numa nave com um motor de improbabilidade ilimitada.
Mas a personagem mais admirável do livro é Marvin, um robot que é o mordomo do presidente. Marvin, superinteligente e superdeprimido está constantemente a ser abandonado milhões de anos no passado e no futuro, por esquecimento, pelos humanos que efectuam constantes viagens pelo tempo e acaba mais velho que a própria Criação .
Se fosse só isto, a obra seria relativamente racional. Mas há constantes deambulações do narrador que tanto fala duma civilização de seres de cinquenta braços que foram a única raça da galáxia a inventar o desodorizante antes da roda, como leva a tal nave com motor de improbabilidade ilimitada a um encontro com uma infinidade de macacos agarrados a máquinas de escrever que acabam de criar o Hamlet.
(continua no próximo número)

Como ler o "Guia":
Tive a sorte de começar a ler a trilogia pelo segundo volume, o que recomendo vivamente. Tem a grande vantagem de resumir o que se passou no primeiro (o que, acreditem, é uma grande ajuda) e de tratar dos pontos fundamentais da linha narrativa.
O primeiro volume engonha um pouco, sente-se que o autor está a escrever sem fazer a mínima ideia do que vai acrescentar no parágrafo seguinte. Lá para o fim os heróis encontram-se com as cobaias que encomendaram a construção do Planeta Terra… Sim, estão a ler bem: em matéria de QI, os habitantes da Terra classificam-se, por ordem crescente, em terceiro lugar os humanos, em segundo, os golfinhos e em primeiro lugar os ratinhos de laboratório que estão a estudar os humanos enquanto os convencem que os humanos é que os estão a estudar a eles.
O terceiro volume é para esquecer: graças a uma viagem no tempo, voltamos à Terra dois dias antes da sua destruição mas tudo gira à volta de um jogo de cricket onde há uns postes que uns outros extraterrestres desejam, o que dá origem a uma guerra interestrelar tão confusa como o jogo que os bifes inventaram.
Passemos então do segundo volume para o quarto, o mais romântico e "feliz" dos cinco volumes desta trilogia. Arthur Dent apaixona-se e consegue ensinar a noiva a voar (sabem, aquela técnica em que saltamos e nos esquecemos de cair; é só apanhar o jeito). A Terra está de volta, mas é uma cópia que os golfinhos nos deixaram, com uma frase de despedida. "So long, and thanks for all the fish".
Touching…
O quinto volume? Já o li na FNAC mas macacos me mordam se faço alguma ideia do seu conteúdo.
Por ordem de saída, os livros são os seguintes (à frente, a minha classificação de 1 a 5)

The Hitch Hicker's Guide To the Galaxy ####
The Restaurant at the end of the Universe #####
Life, the Universe and Everything ##
So long, and thanks for all the fish #####
Mostly Harmless ???

(Pan Books)

Artur Tomé

és primo de quem...?!

Entraram, esta semana, novos operadores para o atendimento da TV Cabo. Como os da noite não são muitos, a supervisão pediu-me para lhes dar apoio durante as chamadas. Reparei que um deles tinha Alexandre O'Neill entre o primeiro nome e o apelido. "Era meu primo", respondeu ele.

say what??

Para quem porventura não conheça a obra do senhor, aqui vai um poema sobre o ser mais perfeito da Criação:

Gato | Alexandre O’Neill
 
Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhore de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!
 
De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

quinta-feira, novembro 04, 2004

Da tabuada aos blogs

Lentamente vai nascendo em mim uma irritação em relação aos blogs. Com a sensação crescente de que há qualquer coisa de errado, de batota, nesta forma de comunicação.
Deixem-me ir à minha infância para me ajudar a mim próprio a definir-me.
No princípio havia a tabuada. No liceu, professores como o Palma Fernandes, ensinavam cálculo mental. (Nada mais simples do que multiplicar um número por 25: multiplica-se por 100 e divide-se por 4). Hoje vai-se a um café ou uma tabacaria, compra-se um café e um bolo, um jornal e um maço de tabaco e, quem nos atende, tem de fazer a soma na registadora para saber qual o total da despesa. Mesmo que tenham aprendido a tabuada, não houve ginástica, não houve rotina de esforço continuado, a arte de calcular de cabeça perdeu-se.
Aprendi também a desenhar letra e como espacejar as letras de uma palavra. Surgiram primeiro as letras de decalque da Mecanorma, depois os tipos de letra nos computadores e hoje poucos art directors sabem que, no cabeçalho de uma notícia ou de um anúncio, o espacejamento entre letras deve ser ajustado. (Experimentem imprimir BAAL e VALE em maiúsculas no tamanho 30 ou 40 pontos. O espaço entre o V e o A tem de ser aumentado e o espaço entre os dois AA tem de ser reduzido, senão o par VA fica muito junto e o AA muito separado). Perdeu-se uma arte que resulta de esforço e de técnica para ser assimilada. Sobrevive sob o nome de lettering, uma bizarria de designers mais profissionais.
Os blogs são outro desastre nessa mesma linha de enfraquecimento de uma arte por ausência de esforço e de perda de "ginástica".
No meu tempo (raio de expressão, sinto-me um velhinho de dedo encarquilhado em riste), quem escrevia alguma coisa e a queria comunicar ao público, tinha de procurar um editor. Tinha de escolher quem se ocupasse de temas relacionados com o que escrevia e sujeitar-se aos comentários desse editor e, eventualmente, dos leitores anónimos.
Com os blogs é tudo mais fácil. Pois, o problema é esse. "Tenho um blog, vai visitá-lo e envia os teus comentários". Os amigos e a família não são feitos para comentar tentativas literárias, são feitos para serem família e amigos. E nenhum fará uma crítica fria e profissional como um editor a quem editar ou não editar aquilo é uma decisão que sentirá na carteira.
Sim, já havia poetas e contistas com edições de autor. Mas era uma decisão a ser bem pensada, porque custava dinheiro e dava trabalho ter de visitar livrarias a pedir para terem alguns exemplares à comissão. Agora escreve-se um texto num blog e sentimos a alma reconfortada porque amigos e conhecidos de outros blogs escrevem-nos a comentar os nossos textos.
É batota, minha gente. O mundo real, lá fora, é mais duro, filhota. Não deixes que a prática dos blogs vá enfraquecer a excelente musculatura que agora tens.

Um abraço a todos.

Artur Tomé

(suspiro...)

E o povo acéfalo elegeu o acéfalo-mor...

quarta-feira, novembro 03, 2004

volta Clinton, estás perdoado!

Bush

Segundo o site do New York Times, as percentagens dos votos para a presidência do Império estão a: 53.3% Bush vs. 46% Kerry. Enquanto rezo para que o Júnior não ganhe e para que o Mundo não fique um mês sem saber quem é, de facto, Presidente, aqui vai um olhar nostálgico pelos mais memoráveis "Bushisms" (deixei de fora "Tenho pena de não saber falar latim para poder comunicar com os povos da América Latina" e o clássico "Fool me once, shame on...shame on you. Fool me...if fooled you can't get fooled again.")

Prémio Filantropia:
"Keep good relations with the Grecians."

Prémio Jessica Simpson:
"I have a different vision of leadership. A leadership is someone who brings people together."

Prémio Einstein:
"It's clearly a budget. It's got a lot of numbers in it."

Prémio Dislexia:
"They misunderestimated me."

Prémio Esquizofrenia:
"I have opinions of my own - strong opinions - but I don't always agree with them."

Prémio Archie Bunker:
"I mean, there needs to be a wholesale effort against racial profiling, which is illiterate children."

Prémio Carrasco:
"I'm not sure 80% of the people get the death tax. I know this: 100% will get it if I'm the president."

Prémio O Triunfo dos Porcos:
"If most of the breaks go to wealthy people it's because most of the people who pay taxes are wealthy."

Prémio Supremacia:
"We're going to have the best educated american people in the world."

Prémio Agatha Christie:
"[The 9/11 report] reads like a mystery, a novel. It's well written."

Prémio Hermafrodita:
"The most important job is not to be governor, or first lady in my case."

Prémio Nostradamus:
"I have made good judgments in the past. I have made good judgments in the future."

Prémio João Viera Pinto:
"I hope the ambitious realize that they are more likely to succeed with success as opposed to failure."

Prémio Um Qualquer Outro Jogador de Futebol:
"If we don't succeed, we run the risk of failure."

Prémio Pioneiro:
"In my sentences I go where no man has gone before."